“Easy Skanking In Boston ’78” é um inspirado registro ao vivo, captado durante a turnê do “Kaya”, décimo disco de estúdio da carreira de Bob.
Uma coisa boa sobre a música, é que quando ela nos atinge, a dor é inexistente. Infelizmente, essa frase não é minha, trata-se de um floreio poético da autoria de um dos maiores mensageiros de todos os tempos, surgiu do fundo do peito do poeta guerrilheiro, Bob Nesta Marley.
Essa sentença é um retrato de tudo que Bob foi era, é e sempre será. Resume o espírito de suas palavras de ordem, mas também apoia o conceito de sua música: belos arranjos para abordar temas complexos. Apesar da mensagem de paz, sua música é uma granada.
E o mais impressionante é que mesmo depois de nos deixar, suas crenças não sumiram, muito pelo contrário, o nome de Bob é ainda muito presente e influente neste planeta. Suas músicas continuam atingindo as pessoas e seu legado é um patrimônio histórico que transcende as barreiras do Reggae.
Se estivesse entre nós, o maestro jamaicano completaria 70 primaveras em 2015, marca histórica que não poderia passar desapercebida. E foi com isso mente, que a família do mito credenciou a Universal Music Group, dando acesso pleno aos rolos de fita que os dreads de Judah nunca lançaram.
Line Up:
Bob Marley (vocal/guitarra)
Junior Marvin (guitarra/vocal)
Al Anderson (guitarra base)
Aston Barrett (baixo)
Carlton Barrett (bateria/percussão)
Earl Lindo (teclados)
Tyrone Downie (teclados/percussão/vocal)Alvin Patterson – percussion
Rita Marley (backing vocal)
Marcia Griffiths (backing vocal)
Judy Mowatt (backing vocal)
Track List:
”Slave Driver”
”Burnin’ & Lootin”
”Them Belly Full”
”The Heathen”
”Rebel Music”
”I Shot the Sheriff”
”Easy Skanking”
”No Woman No Cry”
”Lively Up Yourself”
”Jamming”
”War / No More Trouble”
”Get Up Stand Up”
”Exodus”
”Easy Skanking In Boston ’78”
E para inaugurar os prósperos lançamentos, o primeiro disco já foi liberado. Trata-se do fantástico ”Easy Skanking In Boston ’78” (lançado no dia 10 de fevereiro de 2015), show retirado de uma apresentação do senhor Marley e cia (The Wailers), no Boston Music Hall, no dia 8 de junho de 1978.
A história nos conta que, à época, a banda estava em turnê, apoiando o lançamento de Kaya (liberado no dia 23 de março daquele ano), mas como eles fizeram dois shows no mesmo dia, não sabemos se este set é da primeira apresentação ou da última, algo que depois do play é um mero detalhe técnico.
Com um som finíssimo, bem tratado e uma apresentação bombástica, essa nova série de lançamentos só prova o quanto a família Marley (dona de seu espólio), respeita tudo que esse gênio construiu. Diferentemente da família Hendrix, por exemplo, que lança material do guitarrista a torto e a direito, sem muitas vezes considerar a possibilidade de manchar a imagem de um signo.
Mas aqui não, os reverendos de sobrenome Marley estão focados em lançar material de qualidade para que a base de fãs sempre se renove. A missão exige esforço, mas com registros desse nível, o objetivo está próximo de ser conquistado. Vale lembrar também que além de sair em CD, este show também conta com uma bela edição em DVD e Blu-ray. Alta definição digna para o grave made in Jamaica.
Temos aqui mais de uma hora e dez de muito som. Uma das melhores apresentações da história da banda, com uma qualidade sonora e um equilíbrio no trabalho de mix e master capaz de deixar os bootlegs da época no chinelo. Esse show nos mostra – com qualidade acentuada – como foi a atmosfera de um shows mais pedidos pelos fãs do messias da Jamaica.
Pense, filosofe e critique ao som de ”Slave Driver”. Lute, pulse com ”Burning & Lootin”’ e se rebele com ”Rebel Music”.
Com um set list desse nível e uma das noites mais inspiradas instrumentalmente falando, depois do play, o Wailers praticamente conecta uma faixa na outra, com pouquíssimo ou nenhum intervalo.
É intenso, pode levar às lágrimas e deixa claro que esse homem não tinha tempo a perder. De ”No Woman No Cry” até ”Exodus”, são 6 temas, mas neste registro em específico parece tudo uma coisa só. O entrosamento do Wailers nessa fase era quase telepático.
A formação dessa banda era um desbunde. Junior Marvin na guitarra solo, Aston Barrett no baixo e o seu irmão Carlton na bateria. E o trio de backing vocals – liderado pela Rita Marley – com Marcia Griffiths e Judy Mowatt? Cremoso demais, meu caro.
A parte final desse ao vivo é matadora. São quase 10 minutos de “Jammin'”. O wah-wah ardido do Junior Marvin e a linha de baixo explodindo o grave como se o rolê num Sound System deixam o som com uma pulsação ímpar, devido também a cadência da percussão.
No tema seguinte o Wailers já emenda “War” com “No More Trouble”. O timbre dos teclados é digno de empenar o cerebelo dos ouvintes menos cabeçudos. “Get Up Stand Up” ajuda a transformar o Boston City Music Hall numa verdadeira panela de pressão. É particularmente notável como o Wailers segura o beat de “Get Up Stand Up” e, logo após Bob anunciar: “Exodus”, aí a casa vai a loucura e o show caminha para o fim em seu apogeu.
Aperte o play meu caro, confie no mestre Bob Marley.
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