Aganju – Demo Tape Supremacia (2018) O rapper baiano segue na luta com palavras e ações transformadas em arte anti racista, nesse lançamento
Por Mara Mukami X
“Minha Mãe trabalhou durante anos nessas ditas casas de família, e eu sempre percebi que a supremacia está nos detalhes”
(AganjuAganju)
Acredito que o Rep continua com a função social de dar voz as dores que ecoam das margens. As periferias e tudo o que nelas habitam foram criadas com as sobras de uma dita “supremacia”. Analisando epistemologicamente esses grupos, a mentira enraizada desde as fétidas senzalas centra o racismo na crença de uma hegemonia baseada em mentiras e lavadas diariamente com sangue Preto. Dados alarmantes formam pilhas de processos contra um estado fundamentado em assassinar com requintes de crueldade Homens Pretos.
Estes Homens tem cor e faixa etária. Não é difícil perceber a astúcia do sistema em exterminar esses Homens no momento em que pensamos nas próximas gerações. Famílias Pretas em todo país vivem a atual desgraça sobrevivendo a Diáspora Afrikana. Resistências fúnebres de uma Bahia Preta desfigurada, sob cemitérios clandestinos outorgados pelos nazistas que a governa. Numa solidariedade seletiva, a mídia serve aos porcos que vivem de abonos salariais fruto do genocídio que coloca o Brasil como um foco de guerra. A guerra as drogas em verdade sempre foi uma guerra a população Preta e pobre. Na Bahia o braço armado de um governo que continua deliberando sumiços e um rastro de dor em toda sua extensão.
Mulheres Pretas vivem o desafio diário de enterrar seus filhos e a sociedade normaliza essa condição. Um país que usa um falso discurso moral e religioso que passa por cima do direito a dignidade humana para legitimar por exemplo que um jovem Preto de quatorze anos seja encarcerado, mas abomina a hipótese de ocorrer o mesmo com um jovem branco.
A Bahia que carrega os traços lombrosianos/ nazistas inspirados nos Azes do mal do yurugu da Amérikka, que enquadra pela cor e condição social. Onde cortes de cabelos, tatuagens e brincos sejam uma alegação para o abate desses meninos.
Em mim, essa Demo chegou com a força que só verdades cruas trazem, ter a consciência das mazelas que nosso Povo está submetido em África ou em qualquer lugar do mundo adoece e nos faz compreender quão importante nossa vida é. Resistência atrelada a sensibilidade em expor dores, frustrações e sonhos. Não se subalternizar a uma supremacia da mentira, que treme quando nos vê. Que segura a bolsa e resume a existência a banalidade típica de quem não advém do conhecimento, mas sim do roubo dos mesmos. Tenho me perguntado qual a próxima etapa desse jogo imundo ao qual estamos submetidos.
A ganância, regada ao sangue de uma nação. O Povo Preto segue movendo tudo o que existe. Seguimos condicionados ao sistema carcerário de um país nazista, que mata pessoas Pretas como quem mata baratas. O varejo segue a todo vapor onde meninos tombam pela sobrevivência, uma justiça cega e brankkka… Que seleciona por cor e abate. Enquanto políticos safados seguem imunes.
O que caracteriza JUSTIÇA no BRAZIL?
LEIS pra QUEM?
Quem padronizou os Homens Pretos como ladrão?
E por que temos tanta resistência em realizar e organizar ações nas comunidades?
PRECISAMOS FORTALECER LAÇOS COM NOSSO PRÓPRIO POVO!
Os trabalhos comunitários vem sendo um suspiro em meio a tantas doenças sociais. Nos Interiores e na capital baiana, ações dão cor e vozes as faixas de Gaza. Aqui o “Sujeito”, tem voz e sentimentos, segue com Amores e amarguras num peito sem medos. Quando o Rep invade a comunidade, o menino se vê para além da função do varejo. Se apropriam de sua ancestralidade e se mostram Mestres de cerimônias da vida pesada, e dos cores diários pela sobrevivência. A falsa supremacia nos odeia, por que somos uma legião de mentes insubmissas, e carregamos a disposição de quem vive cansado de enterrar. Queremos ver nascer.
Zuris/ Dandaras/ Nzumbi/ Joquielson Batista/ Obzo/ Os meninos do Kabula/ Luiza Majin/ Akotirenes/ Negro Blue/ Aqualtunes/ Lucas de Feira/ Cláudia/ Joel/ Jhonatan/ Marielle… E todas aquelas e aqueles que foram abatidos por sua subversão diante da opressão nazista. Estejam em Paz!
Paz?
Nós pedimos paz, eles lucram com a guerra! Sobretudo, que diante das adversidades consigamos nos fortalecer na intimidade e na coletividade. Reconhecendo em nossas crianças e adolescentes um terreno fértil para plantar ideias libertárias.
Frente ao Genocídio do Povo Preto.
Nenhum passo atrás!
Recôncavo baiano, campo de extermínio!
Liberdade e Justiça aos irmãos!
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