No “dia da mentira”, Vandal lança o single “ AH VERDADEH DAH CIDADEH”, com produção de Calibre MC e percussão de Ícaro Sá, um abre alas.

O tão aguardado disco de estreia de Vandal está a caminho, e para o abre alas o MC baiano lança o single: “AH VERDADEH DAH CIDADEH”. Uma homenagem e ao mesmo tempo uma afirmação de sua própria trajetória, do seu modus vivendi da cidade, experienciando o passado e construindo o futuro da cultura musical de Salvador. A identidade produto/produtor se expressa nesse primeiro single do “VANGUARDAH”, no máximo de diferença com a qual Vandal já marcou seu nome no Rap brasileiro.
Um single que traz a inspiração do groove arrastado do clássico do Parangolé, mas que em sua constituição apresenta uma série de outras referências que estão longe do maneirismo e do exotismo que busca “POPularizar” as vivências da capital baiana. Se afastando de qualquer proposta de gourmetização para se tornar mais palatável ao gosto da classe média branca.
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A faixa gravada no Cremenow Studio por Tiago Simões, conta com a produção do pioneiro Calibre MC e as percussões do grande Ícaro Sá. Constituindo-se numa massa sonora groovada que nos arrasta balançando do jeito que a favela conhece e gosta, preenchida habilmente sem discursos meritocráticos, sem alusões a inimigos imaginários, mas de pura afirmação da potência que Salcity possui.
Em uma cidade prenhe de pluralidade musical fruto de uma amálgama cultural muito próprio dentro da diáspora africana, Vandal resgata o Parangolé, quase 20 anos depois do lançamento do clássico disco “A Verdade da Cidade”, como uma parte de sua própria construção. Como um MC que não possui sombras estéticas dentro do cenário contemporâneo, reconhecido mesmo que “veladamente” entre os seus pares como um precursor e iconoclasta nato, o groove arrastado é o completo outro do rap nacional.
Como o single começa a elucidar, na “VANGUARDAH” de Vandal não haverá retorno ao boombap, nem drumless, não tem trapagodão, não tem funk, nem grime, nem nenhum subgênero explorado por artistas que estão no hype, certamente não tem “sample chamado de feat”. Nós, que já tivemos a oportunidade de ouvir o tão aguardado disco de estreia de Vandal, só podemos por enquanto dizer que todos estes anos de espera, se tornaram a fiança paga para a nostalgia de um futuro que vai se presentificar em breve.
Não existe também um Vandal do velho testamento, afinal apesar do seu catolicismo e da sua devoção a Santa Dulce dos pobres, em termos líricos e estéticos, o MC das “duas cidades” não faz concessões. E também não se utiliza de referências como mera moeda de troca simbólica no mercado da música. “Gal e Riachão” são em “AH VERDADEH DAH CIDADEH” pontos de intensidade e originalidade criativa, tão importantes quanto o grupo Viola de Doze e o samba duro aka Samba Junino.

Vivemos em uma Salvador que é a capital com os piores índices sociais do país, em um estado onde a PM ostenta o título da polícia que mais mata no país. Uma cidade deflagrada entre o fratricídio das guerras de facção e o genocídio do povo preto em marcha. Neste cenário, Vandal traz – muito bem construído – versos que o situam como sobrevivente deste cenário, mas também como alguém esperançoso e piedoso diante do contexto vivido por seus irmãos. A alusão ao “Ministereo Público no tempo da Zauber” é uma lembrança de um tempo onde ainda se vivia a Salvador das madrugadas, antes dos Ubers, na época dos pernoitões.
Entre as diversas questões reunidas nesta ”AH VERDADE DAH CIDADEH”, o fato é que o single dá ao público já uma ideia do que esperar do primeiro disco de carreira de Vandal. Após pouco mais de 10 anos da pioneira mixtape “TIPOLAZVEGAZH”, onde trazia sonoridades de modo pioneiro e que depois se tornou “moda”, “VANGUARDAH” novamente apontará para um futuro outro para o que está dado como sonoridade no Rap, mas com a mesma essência da cultura Hip-Hop.
-Vandal abre alas da VANGUARDAH com o single “AH VERDADEH DAH CIDADEH”! – Resenha
Por Danilo Cruz
Danilo
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