O Liverpool lançou em 1969 um clássico do rock nacional, um disco que trabalhou entre a ingenuidade da Jovem Guarda e a iconoclastia do Tropicália!
Banda formada no bairro operário do IAPI em Porto Alegre, o Liverpool era formado por: Mimi Lessa (guitarra), Fughetti Luz (cantor), Pekos (baixo), Marcos Lessa (guitarra base) e Edinho Espíndola (bateria). Gravaram esse disco por terem se classificado na fase regional do II Festival Universitário da Música Popular, onde defenderam a música que seria o título do álbum.
Conta-se que o grupo estabeleceu um regime de operário para os ensaios, enquanto todos acordavam cedo para ir trabalhar nas fábricas e no comércio do bairro do IAPI, os rapazes se encaminhavam para os ensaios. O que deu um resultado facilmente notado na qualidade técnica dos instrumentistas e nas composições de Por Favor, Sucesso.
A estreia em disco da banda aponta para uma consciência pop ímpar e ao mesmo tempo plural em suas propostas, situado a meio termo entre o desbunde da tropicália e as ingenuidades pop da jovem guarda. Sem comprar as ideias mais radicais e vanguardistas da turma da tropicalista e desenvolvendo a influência dos Beatles e dos Rolling Stones presentes no iê iê iê, os caras fizeram um dos melhores discos do nosso rock sessentista. Ironia, temas sérios, psicodelia, romantismo, urgência, são alguns dos elementos presentes na poética das canções.
A ironia se faz presente na classificada do festival acima referido: Por Favor, Sucesso. A música alegre e de andamento rápido, brinca metaforicamente com a imagem de uma chaleira quente e o sucesso nas paradas, ao mesmo tempo em que o personagem corre atrás de alguém que ele perdeu. Na sequência temos mais uma boa dose de ironia: será que dá pra negar que a gagueira no começo de Mania, é também uma brincadeira com o sucesso My Generation do The Who?
As guitarras de Mimi Lessa e o vocal de Fughetti, junto com a bateria swingada e precisa de Edinho Espíndola, são um espetáculo na bossa-rock Cabelos Varridos. Deixando claro o quanto os rapazes dominavam com tranquilidade, linguagens diversas e o quanto eles conseguiram promover uma mistura deliciosa. Em 13º Andar aparece também a crítica de costumes e uma reflexão sobre a solidão a respeito da melancólica.
Blue Haway e Você Gosta, demonstram o vigor pop inconfundível deste disco, músicas que poderiam figurar tranquilamente nas paradas de sucesso e embalar bailinhos inocentes. As duas emulando as influências claras da invasão britânica e do r&b respectivamente, cantadas de forma doce e com letras suaves e pegajosas. A psicodelia da às caras com todo vapor em Olhai Os Lírios Do Campo e Voando, guitarras envenenadas, cheias de distorção e letras muito loucas.
Mais adiante surge outra bossinha rock, Planador, com outro show da bateria de Edinho Espíndola, mestre das mudanças rápidas de andamento e dos ritmos sincopados. A letra brinca com termos tecnológicos e com nossos sentimentos: “Em alta fidelidade eu vejo você, você nem ouviu o meu novo Lp, estéreo, eu sei que sou aéreo, planador”. Água Branca é a mais nervosa do disco, com um maravilhoso solo cheio de distorção, seguida da ultra psicodélica Impressões Digitais. Paz e Amor e Tão Longe de Mim fecham o disco em alto astral, deixando aquela sensação de paz e dever cumprido.
Uma pena essa beleza de disco ser tão pouco conhecido das novas gerações, pois é um registro exemplar de como é possível fazer pop rock sem superficialidade, uma vez que o Liverpool conseguiu passear com tranquilidade e competência entre as várias linguagens do rock da época e ao mesmo tempo da nossa música popular, sem se vincular propriamente a nenhum movimento especifico. Infelizmente a banda só gravou esse LP e depois conseguiram fazer a trilha sonora e aparecerem no filme Marcelo Zona Sul. Com o fim do Liverpool, eles fundaram a também excelente Bixo da Seda, junto com o baixista Renato Ladeira (ex A Bolha), mas isso já é papo pra outra Discoteca Básica!
Ouça o disco completo:
-Um clássico pouco conhecido do rock nacional, a gaúcha: Liverpool em Por Favor Sucesso 1969
Por Danilo Cruz
Danilo
Matérias Relacionadas
1 Comment
Deixe um comentário Cancelar resposta
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Killa Bi em “É Nosso Tudo O Que Eu Olho”, a expertise de uma grande MC
Em seu disco de estreia, Killa Bi mostra-nos por que é uma das grandes MC’s surgidas no Rap brasileiro nas últimas décadas, “É nosso Tudo O Que Eu Olho” Nos últimos 6 anos, o nome de Killa Bi se tornou obrigatório para quem está atento…
NEGGS & YANGPRJ, arte e cultura Hip-Hop piauiense expandidas e renovadas, e agora?
Após 3 discos lançados, NEGGS & YANGPRJ expandiram e renovaram a arte e a cultura Hip-Hop piauiense, “Libertador part. II, o fim de um ciclo! Em seu último movimento, a dupla de artistas piauienses NEGGS & YANGPRJ, lançou o disco “Libertador part. II”, no final…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

On June 3rd what this site published was:* “Why Do You Love Me” and “Run Baby Run” are *rumoured* to be on the sadcutronk of “X3: X-Men 3″ which is slated to be released in May 2006. Both songs were pitched to be on the sadcutronk album and one may be the starting track to the movie. Also, “Run Baby Run” was pitched to the movie “Mission Impossible 3″ which is slated for a June 2006 release, but no official word to both of the movies yet on the results.link: