Mulheres do Rap e R&B, talentosas e incríveis para você conhecer, curtir e propagar aos quatro ventos, lançaram discos e EPs
O volume de lançamentos no rap nacional é algo difícil de acompanhar com o acuro necessário, são muitos discos lançados e muitos EP’s e mixtapes, singles não dá nem pra contar. As mulheres felizmente e na base de muita luta vem forçando a passagem e para quem tem ouvidos atentos é fácil de perceber o quanto elas tem feito das coisas mais interessantes na cena. Ao mesmo tempo, as mulheres vem se inserindo em todos os meios de produção da cena, são MC’s, cantoras, produtoras, assessoras, jornalistas, designers etc…
E isso apenas revela o que sempre soubemos, pois sempre acompanhamos e valorizamos, isso é parte da construção do nosso gosto, não fazer distinções conscientes ou inconscientes de qualidade partindo de gênero ou sexualidade. Como homem hétero cis, minha criação sempre primou pela diversidade, mas sobretudo depois de adulto, pela valorização da diferença. Reconhecer essas produções pelas suas qualidades intrínsecas e singulares é o papel do ouvinte bem informado.
Talvez a mente toda trabalhada no machismo e na homofobia não consiga entender que o trabalho feito por mulheres e por LGBTQI+’s não pode ser “igual” ao dos “parças”, porque enfrentam problemas de outra ordem. Lembrando aqui, que qualidade técnica nunca foi um problema para essxs artistas. As temáticas dos discos e ep’s abaixo selecionados, tocam em questões transversais e ao mesmo tempo em sentimentos universais expressos por mulheres. Produções que vem do nordeste e chegam no sudeste, estão presentes aqui, pois é sempre bom lembrar que as manas que estão no norte e no nordeste e no sul também, tem seus trabalhos mais invisibilizados do que o normal nessa seara.
Então, agora é hora de vocês se educarem, apreciarem e divulgarem essas mulheres incríveis em suas timelines e parar com essa bobagem de ouvir um ou uma ou duas artistas, a cena é infinitamente mais rica do que isso!
Clara de Noronha (SE)
A cena sergipana como todas as outras possui diversas manas com trampos muito interessantes e algumas delas já estiveram aqui nas páginas do Oganpazan. Clara de Noronha chegou muito bem com seu EP de estréia Da Selva Pro Mar e Vice-Versa (2020) com produções de Swan, JB e Freeze, onde ela reafirma não somente a qualidade da cena local, mas o seu compromisso em produzir dentro da cultura hip-hop. Batendo forte contra o Olavismo, contra o machismo e a homofobia, demonstrando um flow segura e muito bem informado.
O EP conta com 5 fiaxas e traz as participações de Raíssa e Lirik, e traz uma MC’s devota do boombap mas que não arrega de beats de entonação trap. Ciente da força que a arte tem de curar, servir terapeuticamente e como inspiração para as dores e contra as opressões, das mais diversas que atravessam a todos nós como indivíduos!
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Mari P (MG)
A relação entre ativismo, formação e desenvolvimento artístico encontra em Mari P um ponto de convergência muito firme. Em uma frase presente na sua música Luta Dupla: “Mulher é tão capaz que doi no seu ego”, a mc condensa tudo que afirmamos acima. O patriarcado se estrutura através de uma sentimento de superioridade que quando colocado de frente com uma mulher preta, psicologa e realmente uma MC, com atuação em diversos projetos em sua cidade.
Diretamente de São João Del Rey, no interior de Minas, Mari P soltou seu primeiro disco Resista 1(2020), que já tem um segundo volume engatilhado. Disco traz produções de Jonas e ao longo das 11 faixas que compoem o trabalho podemos perceber uma MC que além de um flow bacana, entoa pitadas de R&B com muita qualidade. O sistema racista e machista são os principais alvos de sua poética e você não vai se arrepender de conhecer essa artevista!
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Tatiana (SP)
A voz de Tatiana é um dos mehores bálsamos que o R&B nacional pode ouvir nos últimos ano, e agora podemos começar a matar a vontade de ouvir um trabalho maior dessa excelente cantora. As cinco faixas presente no EP homônimo foram gravadas no Red Bull Studios em SP e o som presente no trabalho é fino e fará seus alto falantes entoarem todas as texturas, timbres e notas dos beats e da voz da cantora.
Com a direção musical de Mayra Maldjian e participação de Drik Barbosa parceiras do coletivo Rimas & Melodias, esse EP de estréia nos apresenta uma cantora muito ciente do espaço musical que conquistou e quer ampliar, enriquecer. O disco conta ainda com a participação do beatmaker Nauak e do multi-instrumentista Wesley Camilo, a produção musical de Grou e direção de voz de Silvera. Confira as variações sobre o tema do amor, que TATIANA (2020) nos apresenta com o melhor do R&B nacional.
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Attlanta (SP)
Aqui estamos diante de um fato histórico, o primeiro disco do rap nacional totalmente produzido por uma mulher! Em artigo publicado aqui no Oganpazan, a nossa colunista Bruna Rocha nos chamava atenção para a necessidade de que as mulheres ocupem e sejam valorizados em todos os campos da produção do rap nacional. Attlanta fincou uma pedra importante ao produzir esse disco, nessa qualidade e integrar com muita força uma geração de produtoras e beatmakers mulheres que tem tomado a cena na marra.
A Mixtape Futuro (2020) entrega aquilo que enuncia, o futuro é o das mulheres em ponto de igualdade com os homens, mostrando todo o seu talento sem impedimento. Attlanta reuniu um time de ponta do Trap e R&B nacional como DaLua, Delatorvi, Ashira, Scarlett Wolf e Izumed, Alt Niss, Og Capitu e muitos outros e outras. Aos 24 anos a beatmaker e produtora Attlanta lançou uma mixtape histórica e ao mesmo tempo uma porta de entrada para o cenário trap e r&b da melhor qualidade.
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Brrioni (SP)
Essa mina é bem braba, e essa adjetivação não é algo vazio, se funda na nossa percepção e no acompanhamento que temos feito do trabalho da rapper paulista Brrioni. Aqui ela segue Escurecendo (2020) a porra toda, com uma violência que se faz muito necessária como revide histórico e tendo como ponto de partida uma consciência critica empretecida pela percepção do quanto o racismo estrutural nos circunda.
Ao longo das 10 faixas Brrioni vai pintando um imenso mural de cores escuras, com o seu flow agressivo e muita ideia. Participam do disco Mulambo, Thalia Abdon, Yojin e Peninha que fortalecem o trabalho e trazem seus próprios tons para obra enriquecendo ainda mais o trampo. Do trap ao funk, passando pelo R&B é fantástico ver uma mina preta e periférica aos 18 anos, metendo o pé na porta com um trabalho forte. As produções ficaram por conta de VINEX, Deck9 Record’s que também não economizaram na variação dos beats, escolha que não deixa o trabalho monótono ou repetitivo.
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-Mulheres Incríveis do Rap/R&B Nacional : Conheça
Por Danilo Cruz
Danilo
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