Ivan Motosserra Surf & Trash lança Olhos Profanos, uma balada cabarelística cheia de maledicência.
Paira sobre os porões, bares e estúdios da Bahia e São Paulo uma nuvem cabarelística envolvente, maledicente, cuja sonoridade bebe na influência das serestas, dos bregas, por onde Ivan Motosserra, a pessoa, arrasta sua carcaça em busca de álcool barato e amores de uma noite.
Nas moedas inseridas nas jukebox desses estabelecimentos Ivan encontrou sons incomuns para sua geração. Parecia um arqueólogo, atônito ao se ver diante de seres antediluvianos de eras remotas. Incorporou essas sonoridades em sua vida e trouxe essa influência para as músicas da banda que leva seu nome. Não há trampo da Ivan Motosserra Surf & Trash que não contenha algum elemento dos gêneros que povoam os ambientes de cabarés Brasil afora.
Olhos Profanos, novo single da banda, explora de forma mais direta essa estética sonora, colocando-a como elemento principal. Dessa vez a surf music vai par ao segundo plano. Conseguem mergulhar nesse ambiente sonoro que nos remete a relíquias instrumentais de eras remotas, quando amplificadores valvulados de alta potência e guitarras exóticas dominavam a fauna e flora musical brasileira.
O acesso ao equipamento necessário à reprodução dessa atmosfera dos tempos da jovem guarda e início da surf music em terras brasileiras, foi possível graças à parceria com Gerson Bertholini do Estúdio Supersonic de São Paulo. Além de oferecer as condições materiais para que a banda conseguisse chegar ao resultado desejado, Gerson contribuiu gravando o órgão responsável por criar o ambiente vintage que impregna toda música.
Olhos Profanos começa de forma compacta, sem uma introdução, tendo todo aparato instrumental de fundo enquanto Ivan, usando de toda malícia vocal que lhe fora presenteada por Jah, declama versos de um drama exagerado beirando a melancolia. O efeito do som espraiado gerado pelo órgão ao fundo, dando à guitarra condições de desenvolver diferentes evoluções melódicas, levando a música a formar diferentes matizes sonoras. Em dado momento, aproximando-se do fim, o teclado inicia seu passeio melódico produzindo solos de brilho intenso.
A concepção gráfica para o single ficou por conta de Gean Santos, que soube captar bem a natureza da música e transpô-la visualmente. A mixagem e masterização ficou por conta de Anderson Kabula. E o power trio motosserístico dessa vez, além dos irmãos Gagliano, Rodrigo (bateria) e Rogério (guitarra), contou com o baixista Iuri Nogueira, o Tutu.
Ficamos por aqui com mais esse capítulo da trajetória alucinante desses motosserras insanos que não param de nos surpreender com trampos cada vez mais criativos e ornados por muita sensualidade quase vulgar. Esperamos pelos próximos capítulos dessa caminhada cambaleante e alucinatória desses moços imberbes.
– Deixe-se enfeitiçar pelos Olhos Profanos da Ivan Motosserra
Por Carlim
Carlim
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Killa Bi em “É Nosso Tudo O Que Eu Olho”, a expertise de uma grande MC
Em seu disco de estreia, Killa Bi mostra-nos por que é uma das grandes MC’s surgidas no Rap brasileiro nas últimas décadas, “É nosso Tudo O Que Eu Olho” Nos últimos 6 anos, o nome de Killa Bi se tornou obrigatório para quem está atento…
NEGGS & YANGPRJ, arte e cultura Hip-Hop piauiense expandidas e renovadas, e agora?
Após 3 discos lançados, NEGGS & YANGPRJ expandiram e renovaram a arte e a cultura Hip-Hop piauiense, “Libertador part. II, o fim de um ciclo! Em seu último movimento, a dupla de artistas piauienses NEGGS & YANGPRJ, lançou o disco “Libertador part. II”, no final…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

