De Fabricio a Felzem Mc é uma transformação bonita levando o mano a sair da plateia para mostrar sua arte e indignação nos palcos com o rap!
Por Mylena Bressy
Se você frequenta os shows de rap na capital baiana com certeza já se trombou com Fabricio, mano que é cadeirante, morador da Cbx, sempre vestido com roupas exaltando o ritmo e a poesia. Frequentador assíduo da cena rap soteropolitana, sempre ligado nos raps da vida, e às vezes até dando aquela canja nos eventos. Um ‘rapeiro’ nato!
Bom, agora vocês vão conhecer o Felzem Mc ou Felzem Cyclone; o mesmo Fabricio de quem falamos antes, que agora resolveu assumir de vez seu talento e gravar algumas de suas letras, umas antigas que estavam guardadas e outras novas, enriquecendo ainda mais nosso cenário da música marginal. Há pouco tempo, Felzem começou a fazer de sua boca uma peça e já começou a cuspir rima sem querer mais parar, como diria a letra de “A Peça” do grupo Nois Por Nois.
Seu contato com o rap vem desde a infância quando ele começou a escutar alguns grupos que estouraram na época, como Racionais, Sabotage, Facção Central e Ndee Naldinho, esses os quais ele mais ouvia.
O single “Não Está Certo”, lançado no dia 10 de abril deste ano, com a participação de Jhomp e Torre (Contenção 33), já é o segundo (o primeiro foi “País das Chacinas”, juntamente com Sampayp), e ainda vem muito mais por aí!
https://www.youtube.com/watch?v=ii-wXpgBd5Q
O mano já prometeu um EP, que tá programado para sair logo menos. “Maloqueiro anti-Neto”, Felzem faz questão de colocar em suas letras sua militância contra o sistema, os políticos corruptos e a violência policial; principalmente essa última. Pouca gente sabe, mas o Mc em questão ficou paraplégico após ser baleado nas costas pela PETO, numa operação realizada na favela, na qual os policiais chegaram atirando, quando Fabricio tinha então apenas 15 anos.
Versos como “Meu piva acorde, a PETO mata mais que a morte”, não é só revolta de quem observa de fora, mas de quem vive na pele a violência resultante do poder alocado em mãos erradas. “Não está certo! Protesto severo, meu manifesto Em Salvador, o índice de paz é zero Será que é certo? Nos falta acesso, Escuta Neto! Quem anda se quebra E discrimina os paraplégico”
Ou seja, vemos claramente eu suas barras uma poesia vivida e dores que lhe floram infligidas pelos mesmos poderes que Felzem Mc critica. Ficamos feliz que essa revolta esteja se transformando em poesia.
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