Começando o ano em alta, repetindo o que fez no ano passado, Vandal abre o ano lançando três pedradas com produção pesada do mano Portugal!!!
Vandal começou 2017 largando o clipe da faixa “Intruh“, presente em sua primeira mixtape: Tipo Laz Vegazh (2015). E daí por diante, como noticiamos aqui, o rapper baiano teve um ano bastante produtivo em seus singles e participações. Construindo seu público à custa apenas de seu talento e trabalho, Vandal corre por fora dos hypes nacionais, caminhando numa carreira já plenamente estabelecida em Salvador, mas que pretende acessos mais amplos.
Agora em 2018, o mc triplicou a dose e soltou três singles com a versatilidade musical e o peso nas ideias que são suas melhores características, passeando por temáticas e sonoridades. Organicamente construindo admiradores de sua arte, curiosamente Vandal é pouco noticiado nas mídias especializadas em rap, o que não tem impedido o crescimento nas visualizações de suas músicas no youtube. Sendo citado por nomes de peso do rap nacional como KL Jay e por artistas em evidência como Diomedes Chinaski e Thiago Elniño.
As três músicas foram publicadas separadamente, sem referência a um pequeno EP, ou algum projeto especifico. No entanto, não são meros singles genéricos, em beats muito bem construídos pelo beatmaker Portugal e gravados no estúdio Cremenow, Vandal rima sobre diversas questões que fazem parte das nossas vivências, do coletivo ao individual. O desejo é de melhora mesmo, bagaçando com força, resistindo aos valores estabelecidos, valorizando a cultura do gueto, amores e progresso como horizonte.
TIRASUAPAZH, música que ilustra o topo da matéria, traz um beat trap cheio de variações, idas e vindas para a melodia central da produção do supracitado Portugal produzindo uma atmosfera de suspense. A música que se encaixa perfeitamente com a proposta lírica das barras, nos apresentando um gueto pouco digerível para a camada burguesa de admiradores do rap.
Em linhas gerais Vandal traça o quadro de crescimento econômico que nossas favelas obtiveram nos últimos anos, porém não esquece o terror social que ela ainda representa para a classe dominante e em alguns casos para si mesma. Como voz e presença produzida pela cultura do gueto, o rapper assume toda a complexidade que nossas favelas apresentam, sem dourar pílula para os “entusiastas das comunidades pobres”, onde a beleza só transparece pela sua progressiva pasteurização e inofensividade.
Segunda produção do beatmaker Portugal, uma “lovesong” na linha do Plug, onde Vanvan aka o Cadelo mais hard, nos traz uma história de desejo e sedução. Exercitando também aqui, sua qualidade pop, sua capacidade de tornar suas músicas “viajadas pelo gueto”, sem precisar de quatcha quatcha de internet. Longe da linha da conspiração e da maledicência, dos mimimih das redes sociais.
Engraçado como o artista constrói suas canções, e como essas construções se diferenciam bastante do que estamos acostumados a ouvir. Aqui todo o leitmotiv fica em suspenso, ao narrar não uma história de amor, lovesong, mas relações de um desejo que não é levado a cabo, uma paquera que não encontra destino ou seu próprio fim. Um objeto de desejo difícil de ser apropriado, de cair na captura do outro.
Fechando esse tríptico, temos uma outra peça fundamental com um refrão poderosamente pegajoso na mesma linha de Ballah & Fogoh, um de seus maiores hits. “Headshoth pra traumatizar, se afaste desse judas que eu vou bagaçar.” Música gravada na fábrica de hits Back To Back Estudio, é automaticamente um hino. O judas em questão, fica de acordo com sua experimentação e com o seu background interpretativo.
Vandal tem a capacidade de criar músicas que dispensam interpretação, conseguem amalgamar afetos com o poder de haikais e precisam estar em ligação direta com o fora, com o pensar contra o tempo para melhor efeito. Você pode escolher por exemplo, Doria, ACM Neto, Bolsonaro, Rodrigo Maia, O Capital, o racismo que tem aflorado no rap. Enfim, escolha o seu judas e bagace, ou faça melhor e recuse o fascismo em bloco desde suas atitudes cotidianas.
Vandal começa o ano de 2018 em alta, e pelo que ouvimos falar, tem disco sendo encaminhado para esse ano ainda!
“Video meliora, proboque, sequor deteriora!” Ovídio
Danilo
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