Speed foi um dos maiores do Rap Under Nacional, ganha finalmente uma biografia que começa a documentar sua conturbada e produtiva vida, leia
Após a leitura da biografia Eu Sou Assim, Eu Sou Speed, (Pedro De Luna e Rafael Porto/Ilustre Editora), voltei a mergulhar na inquieta obra musical desse artista ímpar do nosso tempo. Definitivamente, Speed foi um dos grão-mestres do Rap underground brasileiro, com todos os seus méritos e precisa ser reverenciado por isso.
Quando li a obra: Uma Década Dulôco, maior registro em livro sobre o Rap Underground feito até aqui dessa talentosa geração do Rap brasileiro, e que caminhava na contramão do já consolidado rap gângster é que passei a ter uma dimensão maior dessa cena e o quanto ela era e é organizada, resistente e importante.
Vi surgir, na contramão do mainstream (se é que podemos chamar assim), apadrinhados pelo mestre Thaíde, um ícone em importância histórica pro Hip Hop brasileiro, a Academia Brasileira de Rimas, e de lá pude conhecer nomes como Max B.O, Kamau, Paulo Napoli, Akin e outros, muitos desses inteiramente consagrados e consolidados no Rap nacional.
Também vi surgir na cena carioca, o que, em minha modesta opinião se configurou como o maior celeiro revelador dessa boa nova do Rap brasileiro, nomes como Marechal, Quinto Andar, Aori, Artigo 331, Esquadrão Zona Norte, De Leve…
E para mim, que teve o gosto musical do rap moldado nas bases da contestação, do ativismo, do discurso do enfrentamento, sofri um baque forte ao descobrir que podíamos manter as mesmas pautas discursivas, agregar outras abordagens estéticas e porquê que não, se divertir também..?!
Pois, seguindo a cartilha do mestre Bambaataa: Peace, Unity, Love and Having Fun.
E todo esse arrodeio da porra até aqui, é para voltar a falar de um dos mais (se não o mais) emblemático Mc dessa geração, Cláudio Márcio de Souza Santos, o Speed Freaks, ou simplesmente Speed, e o seu vanguardismo no rap underground de Nikiti City.
Definir Speed em poucas palavras não é uma coisa fácil, umas das tarefas mais ingratas que possa ser atribuída para alguém que conviveu com ele. Inquieto, inteligente, sagaz, autêntico e sem esquecer o famoso jargão atribuído a si mesmo, “tocava baixo pra caralho”.
Se dizia vagabundo, mas um vagabundo que trabalhava, vivia dentro do seu próprio tempo e modo, uma espécie de “Life Style Speed”, um vagabundo operário a serviço da arte. E o que atesta essa afirmativa é o tamanho de sua obra, que, pela inquietude, parecia estar sempre inacabada.
Era acima de tudo, um artista visionário, e ainda que não produzisse arte pro senso comum, sabia a real relevância de sua obra e que parecia correr contra o tempo, talvez por querer deixar um legado, nunca saberemos. Era intrínseco a sua personalidade o real conceito: Do it yourself. Um autodidata com DNA de Hip Hop.
E tá quase tudo aqui, se não tudo, uma boa parte, o resto é com você. O trabalho documental cuidadosamente montado e apresentando por Pedro e Rafael é digno da memória do Speed, ele merece.
Quase 10 anos depois, num crime ainda não solucionado, sem sabermos como e porquê, balas atravessaram o caminho do Speed e tirou de nós um dos rappers mais foda da primeira geração do underground brasileiro!
Mas como todo grande artista é imortalizado pela sua obra… Speed vive! E né de boca não, ladrão… tocava baixo pra caralho.
-Speed foi um dos maiores do Under Nacional!
Por Paulo Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=hO8c99-hKOs&t=1s
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