Guilherme Espir teve o privilégio de assistir ao show do mestre Ron Carter na Bourbon Street Music Club, e presenciou toda sofisticação e bom gosto do jazzista americano
Ron Carter. Não se engane pela simplicidade. São apenas 2 nomes, mas juntas, todas essas 9 letras formam uma das fundações do Jazz. Quando o assunto é o contrabaixo ou um “piccolo”, Ron Carter é sinônimo de pura sofisticação sonora, aliado a uma técnica impecável.
Esses 2 pilares criaram uma das abordagens mais singulares do Jazz. Poucos músicos tiveram uma reputação tão sólida na cena quanto o baixista norte americano. Em termos de longevidade, nem mesmo o saxofonista Sonny Rollins conseguiu equiparar o também violoncelista – que mesmo do alto de seus 82 anos – segue rodando o mundo, destilando sua levada inconfundível.
E mesmo que o tempo já não esteja mais ao seu favor, Ron Carter continua explorando as possibilidades dentro do estilo que o fez tocar ao lado dos melhores. Eric Dolphy, Chico Hamilton, Cannonball Adderley… Ron ainda integrou o grande quinteto de Miles Davis ao lado de Herbie Hancock, Tony Williams e Wayne Shorter, entre 1963 e 1968.
Vale lembrar que o músico natural de Michigan é o contrabaixista mais gravado da história do Jazz. Uma sessão rítmica simplesmente tem outro peso quando conta com o mestre do rabecão fretless e foi exatamente isso que ficou tão cristalino quanto o seu fraseado quando Ronal Levin Carter subiu ao palco do Bourbon Street.
Domingo, dia 13 de maio de 2019. Ao lado do pianista Donald Vega – made in Nicarágua – e da semi acústica do guitarrista americano, Russell Malone, Ron Carter mostrou ao público de São Paulo que não existe idade limite para se liderar um trio.
Em termos de estrutura, o baixo era a espinha dorsal do Jazz. O piano fazia as texturas e a guitarra de Russell, definitivamente foi um dos destaques do espetáculo. O timbre de sua semi estava afiado e lembrou um pouco do trabalho de outro gigante do Jazz, dessa vez o guitarrista Ted Dunbar.
No repertório, temas que remetem aos parceiros de Ron Carter. Miles Davis, Jim Hall e Tom Jobim foram alguns dos nomes citados. O Jazz se confundiu com o Blues num encontro elegante e que entre um Samba e uma surpreendente versão de Bach, deixaram claro – tema após tema – como o peso histórico do mestre é incontestável e tal qual seu groove, segue perpétuo e atual.
Quem estava presente para a celebração dos 25 anos do Bourbon Street foi ao Olimpo e voltou. Foi uma noite sublime.
– O infalível bom gosto do Ron Carter
Por Guilherme Espir do Macrocefalia Musical
Foto de Welder Rodrigues
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