Março Não Basta, enquanto for assim estaremos aqui para tentar ser um instrumento de reverberação da luta contra o machismo e da equidade entre os gêneros.

O Dia Internacional da Mulher foi instituído pela ONU nos anos 70 para demarcar a necessidade das nações empreenderem políticas que resultassem em legislações que garantissem equidade social entre homens e mulheres. Claro, antes disso existe um passado de lutas, iniciado de forma coletiva e organizada no século XIX com a consolidação do capitalismo industrial. *Para uma melhor compreensão da história por trás do estabelecimento do Dia Internacional da Mulher vide aqui.
Esta data comemorativa, contudo, acabou sendo ressignificada pelos dispositivos sociais que encobriram o caráter político por trás da data, fazendo prevalecer a visão patriarcal sobre a mulher. Tornou-se regra o comportamento de homens e de parte das mulheres no dia 08 de março, ser orientado por uma visão estereotipada da mulher. Uma visão contaminada pela compreensão do homem sobre o que é a mulher.
Daí as mulheres terem que aguentar os elogios à sua beleza, aos seus modos refinados, delicados, aos seus dotes culinários, sua dedicação ao lar e ao marido, bem como toda a sacralidade pela qual está envolta por ter o “dom” da maternidade.
Por isso, faz-se urgente buscar formas de minar essa visão sedimentada no senso comum, trazendo à tona o caráter combativo das mulheres ao longo da história e nas diferentes esferas da vida. Nada melhor para isso que evocar mulheres que representem exatamente o contrário do que essa compreensão machista expressa.
Seguindo esse raciocínio, decidimos apresentar em nossas redes sociais cards que apresentem mulheres e fatos importantes para as mesmas na luta por equidade na sociedade. Em sua maioria são mulheres que empreenderam sua luta através da música, contudo há as que lutaram em outras frentes.
Para expressar esse espírito rebelde e de luta através da diversidade cultural e musical, escolhermos quatro madrinhas: Clementina de Jesus, Poly Styrene, Mona Brutal e A Dama. Além de serem mulheres e musicistas, compartilham o fato de serem pretas e sofrerem repressões por uma via de mão dupla, enfrentam o machismo e o racismo. Ambos incrustrados nas estruturas sociais que ditam nosso modo de viver.
Mona Brutal e A Dama representam ainda aquelas mulheres que são atacadas por uma terceira via, a lgbtqfobia. Mona Brutal por ser uma mulher trans e A Dama por ser lésbica. O que as difere são os diferentes estilos musicais praticados por cada uma delas e nos quais são referência.
Clementina de Jesus, que esteve presente ao longo do processo de consolidação do samba como gênero musical de fato, pois nas primeiras décadas do século XX era um gênero marginalizado, sendo mesmo criminalizado no Rio de Janeiro. Poly Styrene esteve à frente da X-Ray Spex, figurando como uma das poucas mulheres negras assumindo o protagonismo no movimento punk britânico da segunda metade dos anos 70.
Na cena musical do pagodão baiano, A Dama abre espaço através da potência de suas músicas e presença segura nos eventos dedicados ao estilo. Confira matéria sobre A Dama no Oganpazan clicando aqui. Enfrentando de frente as dificuldades existentes na cena hip hop brasileira, principalmente aquelas causadas pelo machismo e pela transfobia, Mona Brutal parte pra luta e vai se consolidando como um dos principais nomes da atual geração do hip hop brasileiro.
Cada uma delas representa a presença da mulher nos diversos estilos musicais existentes. Mostrando que venceram batalhas importantes para ocupar o lugar que desejavam. Usam a música, sua arte, a fim de empreenderem a luta contra a opressão perpetrada pelo machismo. Cujo propósito consiste em empurrar-lhes um papel a ser desempenhado e que esteja de acordo com os interesses de nós homens, ainda detentores de poder suficiente para assim buscar exercer nosso domínio.
É por isso que Março Não Basta, ainda há muito o que fazer, muito pelo que lutar, muito a ser conquistado para que se tenha o mínimo de equidade entre os gêneros em nossa sociedade.
#marconaobasta
Segue abaixo nossa Playlist no stpotify inspirada na concepção do Março Não Basta 2021. Confira lá e deixe seus comentários abaixo da matéria nos informando sobre as bandas e artistas que ficaram de fora da lista, mas que deveriam constar nela.
Carlim
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