Primeiro disco de estúdio do Maisha – grupo de Spiritual Jazz de Londres – mostra novos caminhos, fugindo do revisionismo.
A cena de Jazz do Reino Unido consegue absorver qualquer referência musical. Compreende o piano Jazz do Joe Armon-Jones, a guitarra do Mansur Brown e o clarinete do Shabaka Hutchings, mas ao mesmo tempo também carrega o DNA do Tenderlonious.
É interessante como o repertório do Jazz londrino é rico. O cenário rende discos primorosos e que provam não só como os jovens estão respeitando as tradições do groove, sem se curvar a elas. Num contexto de ebulição, as fronteiras de cada estilo estão cada vez mais borradas, a tal ponto que diversas sonoridades coexistem ao mesmo tempo, por isso esse ecossistema de grupos e artistas tão ricos. Tem espaço para tudo, até para o Spiritual Jazz do Maisha.
Formado no ano de 2016, o sexteto liderado pelo baterista Jake Long trouxe um renovado approach para a densa escola de Alice Coltrane. Com o lançamento do primeiro trampo do grupo, o EP “Welcome to a New Welcome” (via Jazz re:freshed também em 2016) o que mais assustou os ouvintes foi o exímio domínio da linguagem que músicos como Nubya Garcia (saxofone) demonstraram, ainda que num contexto bastante diferente do que a cena está fazendo hoje, pensando nas influências contemporâneas, que estão mudando o Jazz, como o Hip-Hop, por exemplo.
Essa cozinha é uma prova de como a cultura do Jazz na Inglaterra não só é consumida, mas sim relevante em quase sua totalidade de subgêneros e ramificações. Passados quase 2 anos da estreia de um grupo que envolve os maiores expoentes da cena, a banda se reuniu para gravar seu primeiro full lengh e o resultado é “There Is a Place”, disco lançado dia 9 de novembro de 2018 via Brownswood Recordings.
Line Up:
Jake Long (bateria)
Nubya Garcia (saxofone/flauta)
Shirley Tetteh (guitarra)
Amané Suganami (piano/wurlitzer)
Twm Dylan (baixo)
Tim Doyle (percussão)
Yahael Camara-Onono (percussão)
Axel Kaner-Lindstrom (trompete)
Barbara Bartz (violino)
Tom Oldfield (cello)
Johanna Burnheart (violino)
Madi Aafke Luimstra (viola)
Maria Zofia Osuchowska (harpa)
Track List:
“Osiris”
“Azure”
“Eaglehusrt/The Palace”
“Kaa”
“There Is a Place”
Maisha – There Is A Place
Logo depois do play fica claro que esse disco é especial. O link do Spiritual Jazz com a dupla de percussão (Tim Doyle e Yahael Camara-Onono) promove uma aproximação com o Afrobeat que é bastante interessante e inovadora nessa cozinha.
Não se engane pelos 5 temas, as faixas são longas e muito bem exploradas. A ambientação, os climas… Aquela aura que só o Spiritual Jazz consegue criar, perpetuando passagens de maneira ascendente que resultam numa indescritível sensação de plenitude após o fim do play.
“Osiris” reflete esse processo. O sax de Nubya serve como norte, enquanto a cozinha mantém a percussão e espera pelo gancho melódico, fazendo toda o grupo orbitar o mesmo tema no groove.
O trabalho da Nubya Garcia é muito interessante, pois além de sua habitual destreza no sax, ela mostra um rico trabalho de flautas que é peça chave na ambientação de temas como “Azure”, por exemplo.
Essa faixa (“Azure”) é um relato de como todos os instrumentos tem lugar na jam. As teclas de Amané Suganami chegam com muito feeling e um wurlitzer que enriquece o trabalho de timbres. O acabamento de cordas idealizado pelo Jake Long dá uma roupagem muito classuda no instrumental e ajuda a direcionar a atenção do ouvinte para pontos chave de cada composição.
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