O 27º álbum da King Gizzard é uma audaciosa fusão entre psicodelia e orquestra, nem sempre perfeita, mas instigante.

Fico impressionado com a capacidade do King Gizzard & the Lizard Wizard de lançar álbuns com tamanha qualidade em tão curto espaço de tempo. Phantom Island, o mais recente trabalho da banda australiana, é seu vigésimo sétimo álbum de estúdio.
Os caras lançam, no mínimo, um álbum por ano. Em 2023, lançaram dois: PetroDragonic Apocalypse; or Dawn of Eternal Night: An Annihilation of Planet Earth and the Beginning of Merciless Damnation e The Silver Cord.
O primeiro mergulha em diferentes subgêneros do metal, explorando a temática do esgotamento dos recursos naturais sob a exploração predatória do capitalismo. O segundo explora todas as possibilidades sonoras dos instrumentos de teclas.
Em 2022, lançaram impressionantes cinco álbuns de estúdio. Extraordinariamente, são cinco obras que exploram veios sonoros distintos e de alta qualidade. É impossível não se surpreender com a habilidade da banda em compor trabalhos tão diversos, mantendo a atmosfera de novidade mesmo com intervalos tão curtos entre os lançamentos.
Em 2024, a banda lançou Flight b741, inspirado na folk music e na country music, que alcançou sucesso tanto de crítica quanto de público.
Contudo, o grupo não permaneceu colhendo os frutos do êxito comercial desse álbum, tampouco se acomodou no paradigma sonoro ali estabelecido. Mudam novamente de rota em Phantom Island. O sexteto parte para uma direção completamente diferente, arquitetando uma estrutura pop com arranjos orquestrais como matéria-prima de sua nova estética.
Talvez o uso das cordas seja excessivo em faixas como “Sea of Doubt”, que acaba ofuscando os riffs de country rock, uma das marcas registradas da banda.
Por outro lado, faixas como “Aerodynamic”, em que o baixo desenha linhas graciosas entre os arranjos orquestrais, criam momentos mágicos. Já “Deadstick”, com sua fusão entre riffs de guitarra e metais, ganha contornos de um soul/jazz pungente.
O ponto alto talvez seja “Spacesick”, uma composição sólida e concisa que, ao longo de cinco minutos, equilibra a ambição sci-fi com a sensibilidade emocional.
Apesar de toda essa inventividade, há desequilíbrios. “Lonely Cosmos” e “Silent Spirit” perdem força com arranjos orquestrais excessivos, que diluem parte do impacto original.
Ainda assim, Phantom Island mantém o espírito mutante e inovador que tornou o King Gizzard & the Lizard Wizard uma das bandas mais singulares do século XXI. É uma obra ousada, com frescor pop e texturas psicodélicas orquestrais, que reafirma o lugar da banda entre os nomes mais criativos da música contemporânea.
Carlim
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