Gaby Amarantos questiona sobre as relações abusivas em “Tchau”, single que também ganhou um clipe e tem participação especial de Jaloo.
Gaby Amarantos recebeu durante um bom tempo um tratamento que a colocava dentro de um prisma folclórico, como se sua música cumprisse a função de apenas entreter. Isso porque o estilo debochado e carregado no humor em suas letras jogava sobre ela essa luz estereotipada. Contudo, a música de Gaby Amarantos entretém, lança mão do deboche e do humor, mas não deixa de abordar questões ligadas ao universo feminino de modo direto e contundente.
Podemos notar isso em seu novo single Tchau, no qual ela faz um diagnóstico acerca da psique feminina moldada para aceitar de modo passivo tratamentos abusivos por parte dos homens. Tendo sempre a tendência a naturalizar que “homem é assim mesmo”, como se fosse inerente à natureza do gênero masculino interagir de modo possessivo com as mulheres.
A letra e Tchau aborda esse tipo de relação a partir de uma noite de curtição que acaba em sexo e no início de uma relação. Na qual há uma relação de dependência da mulher com relação ao homem. Interessante os questionamentos colocados pela mulher em determinado ponto da música:
Porque é que eu gosto de você?/ Por que dependo tanto de você?/ Porque é que eu deixo você me calar?/ Se aproveitar de mim pra me enganar”
Claramente ela toma consciência da natureza abusiva da relação e tenta compreender os sentimentos e emoções gerados por essa relação. Fica atônica ao notar que mesmo consciente dos abusos, ainda sim nota que possui sentimentos que a levam a “passar pano” para o homem, em nome do sentimento que nutre por ele, em nome da relação. Sacrifício, que certamente não é cogitado como opção pela outra parte da relação.
Assim, temos exposta uma situação comum em nossa sociedade, que diz respeito ao modo como nossas instituições, como a família, a igreja e a escola, moldam a personalidade feminina na sociedade. Isso porque, o machismo faz parte da estrutura social e recebe a devida manutenção geração após geração.
Contudo, a cada geração mulheres surgem contestando essa ordem, minando e introduzindo seus “cavalos de troia” no sistema, cujo resultado é o rompimento das amarras sociais e psíquicas através de ações e atitudes como dar um sonoro Tchau a todo e qualquer homem que cometer violência contra ela.
O objetivo é permitir a identificação desses sintomas que denunciam a violência e os abusos, que usam da fragilidade emocional para exercer o poder e fragilizar a mulher. Ao mesmo tempo, levar ao questionamento e a construção de uma personalidade capaz de enfrentar a situação, encontrando o caminho que leve a sair dessa condição submissa.
No material por nós recebido pela equipe da Gabi Amarantos veio a seguinte fala da cantora paraense sobre as questões abordadas em Tchau:
“É importante a gente conseguir arrancar essa toxidade da nossa vida. E ela pode aparecer numa amizade, na família, no trabalho, num político em quem votamos e não está nos representando, num time de futebol ou outras formas de dependência.”
Tchau tem produção de Jaloo, que é parceiro de de Gaby Amarantos, mais Lucas Gouvêa e Arthur Spíndola, na composição da música. Sobre a participação de Jaloo Gabi fala o seguinte:
“Convidei o Jaloo, com quem já tinha feito ‘Q.S.A.’, para cantar alguma das minhas músicas novas comigo e ele fez questão que fosse essa. E eu adorei, pois ele também traz muito no trabalho dele essa ideia de a gente se livrar de toxicidades. Tenho certeza que o público vai se identificou”. A direção do clipe ficou a encargo de João Monteiro, que já havia trabalhado com Gaby em Vênus em Escorpião. João Monteiro faz uma adaptação visual muito competente da música, clipe que também conta com a participação de Jaloo. O slylin recebe a assinatura de Nê Bardac.
Tchau está disponível em todas as plataformas de streaming e saiu pela Deck.
Carlim
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