Double Dread’s Projeto arrebenta em EP de estreia e nos deixa ávidos por outras doses de seu lirismo dançante.
Ao longo dos anos, desde quando comecei a me interessar por música, fui ficando fascinado por bandas com dois integrantes. E quanto mais eu pesquisava os famosos duos ou duplas (sem contar as sertanejas, claro!) mais duos ou duplas de diferentes estilos iam entrando nas minhas playlists.
Entre os mais conhecidos que rapidamente ganharam minha afeição estão nomes como: Daft Punk, Black Keys, The White Stripes e Gnarls Barkley. Aqui no Brasil também temos bons exemplos como: The Baggios, Glue Trip e Aldo The Band.
Porém, não estou aqui para falar de nenhum desses artistas. O objetivo desse texto é apresentar uma dupla que desde a primeira vez que eu ouvi não saiu mais dos meus headphones. Estou falando de um projeto muito interessante formado por dois caras com estrada suficiente para não dar ponto sem nó: o Double Dread’s Projeto.
O duo baiano formado pelo cantor e compositor Dante e o multi-instrumentista e produtor musical DJ Gug, traz uma sonoridade urbana, com letras simples e contagiantes, e aquele toque de mangue e afro beat que sempre aquece nossos corações levianos.
Um dos aspectos mais interessantes desse EP está no fato dele fazer uso de uma mistura não muito convencional que resulta nessa batida dançante e de fácil digestão, mas que mesmo assim consegue manter uma originalidade revigorante. Seu apelo pop minimalista (de acento fortemente baiano) passa a impressão de algo que poderíamos estar escutando nas rádios daqui a alguns anos; sendo, claro, bastante otimistas quanto ao futuro desse meio de comunicação.
As 3 canções que compõem o EP do Double Dread’s vão te deixar com aquela sensação tipo: “PQP! Cadê as outras músicas?”. Logo de cara ouvimos Samba Pra VC, uma música com batida envolvente e sonoridade que eu gosto de chamar de Samba/Eletro/Dub – pros mais entendidos do assunto pode parecer até meio sem sentido, mas desculpa aí meu camarada, foi o que bateu… kkk.
Não é muito comum vermos esse tipo de abordagem para uma canção que é essencialmente uma canção de amor feita para alguém que está longe. “Te amar é bom, mas se está tão longe de mim não vale nada”. Que mané serenata! Eu vou é fazer um samba pra você!
Em seguida conhecemos a bela faixa Alfazema, feita em homenagem ao dia de Yemanjá. “Muito prazer, eu vou chegar pra te dizer que eu vou ficar (…)”. Cultura afro-baiana que aflora junto a leads oitentistas, guitarras rítmicas – às vezes suaves, às vezes mais funkeadas – acompanhando a tranquilidade de estar à noite na beira da praia com sua pequena sob o olhar tranquilizador da lua. Quase dá para sentir a brisa do mar e a água nos pés. “Minha pequena, cheiro de alfazema (…)”
Pra fechar temos aquela que talvez seja a música mais sentimental do EP. Sinal de Tu deixa bem claro a sensibilidade do compositor no que diz respeito a relacionamentos mal resolvidos, ou talvez mostre uma certa empatia do mesmo por relações conturbadas em versos como: “não sei se sonho ou pesadelo, te ter”.
Todo esse sofrimento vem embalado por uma batida eletrônica com toques maracatu, guitarras com delays precisos e palhetas simples dando o tom da faixa que encerra com muita dignidade essa pequena obra.
Não posso esconder a frustração por ter que ficar ouvindo essas três musicas no repeat, mas a cada audição fico ainda mais curioso pelo o que vem por aí nesse projeto que mistura os dreads de duas cabeças iluminadas.
Por Igor Marques
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