Dinner Party: um rolê com o Glasper, 9th Wonder, Kamasi e Terrace Martin, com o Phoelix também colando na elegância, aprecie sem moderação
2020 chegou com tantos acontecimentos raros que um supergrupo como o Dinner Party, composto por Robert Glasper, Terrace Martin, Kamasi Washington e 9th Wonder passou batido. Que fase. Mas que time, não? Mais do que grandes instrumentistas, Glasper, Martin, Kamasi e 9th Wonder são grande amigos.
Hoje, cada um deles brilha em seu próprio espectro de luz própria. Seja ao piano, no sax ou com o microfone na mão, cada um dos membros desse quarteto conquistou seu status no olimpo do mainstream e é bem comum vê-los colaborando entre si. No entanto, como eles possuem seus próprios projetos, é difícil casar as agendas – algo que talvez explique como esse projeto não surgiu antes – mas enfim, foi natural.
Essa reunião que resultou em “Dinner Party” – lançado no dia 10 de julho – estava fadada a acontecer. Ela compila em 7 tracks – e pouco menos de 25 minutos – todo o tesão envolvido no simples ato de trombar os parceiros e fazer um som. Tranquilo e calmo, sem pressão, tocando só as gemas e com riso fácil, caminhando malandramente entre o Jazz, Hip-Hop e aquele chapado R&B.
Track List:
“Sleepless Nights” (Feat. Phoelix)”
“Love You Bad” (Feat. Phoelix)”
“From My Heart and My Soul (Feat. Phoelix)”
“First Responders”
“The Mighty Tree”
“Freeze Tag (Feat. Phoelix)”
“LUV U”
Com 4 feats de luxo ao lado do Phoelix, o grupo já abre o disco com um lovesong radiofônico.”Sleepless Nights” apresenta a estética do deboche. O groove está presente em cada nota, enquanto os kicks da bateria acentuam a base e o sax de Kamasi sobrevoa a jam como se estivesse num elevador panorâmico. Ficou no mínimo cremoso.
Em “Love You Bad” o boogie chega numa pressão com o baixo e o ácido vocal de Phoelix, que depois que o combo fecha a primeira trinca – ao som de “From My Heart and My Soul” – o ouvinte já está habituado, gozando de uma mixtape com precisão de greatest hits.
É muito interessante observar, apesar das rápidas passagens, como Kamasi, Glasper e o Terrace tocam soltos. Os timbres flertando com o Rap-Jazz enquanto a voz de Phoelix faz você derreter junto com os fones de ouvido. “Firts Responders” reverbera ecos de Shuggie Otis, enquanto o quarteto surge com outro groove açucarado.
Muita gente viu essa reunião e fez o maior hype no bagulho. Acho que esse trampo surgiu como uma forma de desopilar de fato. Musicalmente, Dinner Party é soberbo dentro do que se propõe a entregar, mas está longe de reinventar e roda e tudo bem também… Mais do que genial, é importante se lembrar de como soar humano.
E é exatamente isso que acontece nesse trabalho. Aqui nós temos a rara oportunidade de ver uma rapazeada cabulosa, apenas se divertindo, aproveitando a presença um do outro. A música é solar – podia durar mais tempo é verdade – mas essa é a proposta e fica clara desde a primeira track. A produção do 9th Wonder é categórica e a forma como ele selou a roupagem do instrumental mostra a assinatura do chef.
São bases chill out feitas com grande zelo e sentimento, para temperar esta Dinner Party. O sax do Kamasi uiva em “First Responders”. E o clima Soul-Jazz embebido nas bases de “The Might Tree”? “Freezer Tag” é mais um daqueles temas irresistíveis – aliás a participação do Phoelix é elementar nesse projeto.
Mas ainda não acabou, pra fechar a conta, o Robert Glasper ainda aparece com um sinth e talk box em “LUV U”. Se você não derreteu até agora, esse é o momento.
Como diriam os americanos: “layback and dig”. É só aperta play em Dinner Party e esticar as pernas, papai.
-Dinner Party: um rolê com o Glasper, 9th Wonder, Kamasi e Terrace Martin
Por Guilherme Espir
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