Contrabaixo, A Alma da Canção, é uma reflexão sobre o poder e o papel desse instrumento na construção musical em diáspora africana, o punch!
Poderia chamar esse texto de “auto elogio” mas não se trata somente disso. E sim, de uma justa homenagem a esse instrumento geralmente visto como coadjuvante, mas que faz toda a diferença em qualquer estilo musical criado pela Diáspora africana. Seja no Soul, no Funk e principalmente nas vertentes da Bass Culture jamaicana e até mesmo no Rock onde as guitarras assumiram o papel de atores principais.
Situado na fronteira entre o ritmo e a harmonia, esse instrumento percussivo melodico, na ausência dos vocais, é responsável pela identidade da canção, e quase sempre é a sua marca registrada. Dentro da estrutura musical, o contrabaixo é o responsável pelo fundo grave, aquele som aconchegante que todo hit possui. Juntamente com a bateria e demais instrumentos de percussão, é também responsável pelo balanço da música, uma espécie de coluna vertebral que mantém a estabilidade do corpo musical enquanto os demais instrumentos se revezam nas variações rítmicas e harmônicas necessárias.
De Aston Barrett a Jonh Paul Jones, de Robbie Shakespeare a Jonh Deacon, o contrabaixista, esse musico discreto, quase invisível, é o principal arranjador e geralmente o diretor musical dos seus respectivos grupos. Na espiritualidade Africana são os tambores graves os responsáveis pelo transe. É dele a funçao de convocar os seres da dimensão imaterial a se apresentarem na dimensão material, logo, é o elo de ligação entre nós e o mundo dos espiritos.
Diante desses atributos e das contribuiçoes de Flabba Holt, Lloyd Parks, Geezer Butler, Steve Harris, Flea, Jaco Pastorius, Victor Wooten, Jonh Myung, Maurice White, Marcus Miller, Robbie Trujillo, Stewart Zender, Ron Benjamin, D’arcy, Roger Waters, Nik West, Luisão e Arthur Maia, Dadi Carvalho, P.J, Bi Ribeiro, Champignon, os irmãos Bino e Lauro Farias, Gigi, Natinho, Marcos Dystorção, Osvaldo Filho, Fabrício Mota, Wiran Genipapeiro, Tiago Calixto, P.C, Israel Lima, Israel Barão, Alan Dugrave, Danilo Jahpa e tant@s outr@s, além dos citados no paragrafo anterior, afirmo que, se a bateria é o coração, o contrabaixo é a alma da canção.
Acenda o Chalice e aumenta o Som!!!!
Fyahhhhhhhhhhh!!!!!!!!
-Contrabaixo, A Alma da Canção
Por Bobo Tafari
Um dos maiores baixistas da história do instrumento, Charles Mingus ao vivo na Europa!
https://www.youtube.com/watch?v=5STaUWmh9bw
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Vandal é a Bahia profunda em seu álbum de estreia: “VANGUARDAH”
Com direção musical de Russo Passapusso, o álbum de estreia de Vandal atualiza a tradição pioneira da história do rap baiano. “EUH NAOH SOUH TRAPH NEMH BOOMBAPH, SOH PAH TEH ALERTARH, EUH SOUH MPBH, MUZIKAH PAH BAGAÇARH” Vandal produz, em seu álbum de…
Kellven Praiano e uma tradição que voltou pro mar em Corumbau – BA, “Sal Preso 2026”
MC da nação Pataxó, Kellven Praiano estreou com o disco Sal Preso, produzido por Lenis Rino e beats do Aka Nabs e de Denis Duarte. “Sou mais brasileiro, que a bandeira inteira” Em seu disco de estreia, Kellven Praiano nos apresenta “Sal Preso”, em 8…
Oddish “Castro” & Degraus Beats: “A arte de não ser suicidado pela sociedade” = “Deus me Louvre”
Oddish Castro lançou o seu 3º disco com feats de Max BO, ManoWill, Ravi Lobo, ALFÃO, Lezin e mais em seu melhor trabalho até aqui! Vivemos uma era de filtros, onde “personas” são vendidas como manequins portadoras de verdades humanas, com narrativas sendo engolidas como…
O lançamento de “Ajucity for Life” solidifica a relevância de BW para o trap sergipano
Uma análise sobre os elementos singulares que construiram a relevância do artista sergipano BW dentro do cenário de seu estado O festival Tambor cimentou uma das minhas já convictas certezas: BW é um dos maiores nomes do rap sergipano. Ao lado de Preto JB, Dayo,…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

