Line Up:
Bob Marley (vocal/guitarra/violão)
Aston ”Family Man” Barrett (baixo/guitarra/percussão)
Carlton Barrett (bateria/percussão)
Judy Mowatt (vocal)
Tyrone ”Organ D” Downie (teclado/percussão/vocal)
Alvin ”Seeco” Patterson (percussão)
Marcia Griffiths (vocal)
Junior Marvin (guitarra/vocal)
Earl ”Wire” Lindo (teclado)
Al Anderson (guitarra)
Rita Marley (vocal)
Track List:
”So Much Trouble In The World”
”Zimbabwe”
”Top Rankin”’
”Babylon System”
”Survival”
”Africa Unite”
”One Drop”
”Ride Natty Ride”
”Ambush In The Night”
”Wake Up And Live”
E o apogeu deste som anti opressão foi sem dúvida o show realizado dia 17 de abril de 1980 no Rufaru Stadium durante a cerimônia de independência do Zimbabwe, país que inclusive usava a música de mesmo nome (presente neste disco), como uma espécie de segundo hino. Uma prova de como o som do made in Trench Town estava atingindo o pessoal do topo, influenciando todos os movimentos que apoiavam a independência sem os absurdos das tradicionais ditaduras que tanto povoaram o continente.
O legado é justamente mostrar como a arte pode influenciar algo e não é exagero nenhum dizer que Bob foi um dos responsáveis pela independência, não só do Zimbabwe, mas também de várias outras bandeiras que ilustram a capa deste marco zero. ”Survival” é praticamente uma obra conceitual sobre o poder do sistema capitalista e a submissão do homem perante este modelo, mas o elementar é mostrar que tudo acaba, até a Babilônia caiu e o senhor Marley foi o Niemayer responsável pelo seu novo projeto.
É fabuloso acompanhar as letras deste disco pois take após take nota-se que uma revolução musical começa, se desenrola e termina. O plano começa a ser tramado de forma tensa… Os diversos problemas do gueto são apontados em ”So Much Trouble In The World”, os reprimidos são estimulados a lutar com a mão no peito ao som de”Zimbabwe” e mergulham na miscigenação de ”Top Rankin”’.
E entender o que acontece ao seu redor com ”Babylon System”, sentindo uma brisa libertária com a faixa título (”Survival”), se lembrando que são iguais com ”Africa Unite” e que a felicidade é um direito de todos (”One Drop”). Acreditando em algo (”Ride Natty Ride”) ou não, pregando o respeito e mudanças para que o povo não seja enganado novamente cantarolando ”Ambush In The Night” e colhendo os louros da empreitada quando a independência bate à porta, sempre com ”Wake Up And Live”.
O ouvinte começa descrente e acaba devoto. Começa preso e termina livre. Inicia a jornada careca e acaba com dreads. Surge sem religião e finaliza Rastafári de nascimento. Mais do que Reggae ou música de forma geral, creio que ”Survival” seja mais que um disco, é um mantra. Trata-se de um livro aberto que cumpre a difícil tarefa de nos ensinar a viver de forma humana, o único exemplar de auto ajuda que de fato faz alguma diferença no beat pacífico de Jah. Façam o sacramento e venerem a poesia sublime do elevado Robert Nesta Marley.
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