Com Garotas Vulgares e Gosto de Perigo o Bikini Hunters começa 2016 com o pé na porta.
Para nós que acompanhamos a trajetória do Bikini Hunters, aqui de longe via timeline, o ano de 2015 parece ter sido vitorioso. Os caras reformularam a banda, tiveram seu disco de estreia lançado e resenhado em países do leste europeu – nós também o fizemos – circularam em alta pelo interior de seu estado (RS). Enfim, viveram o que cantam, sexo, drogas e rock’n roll em alta velocidade, cheios de humor e acidez e começam a ser reconhecidos como merecem.
Algumas bandas independentes parecem ter outra ideia do que seja o sucesso. Enquanto muitas bandas parecem nascer buscando encontrar produtores capazes de tornar sua música palatável para as grandes massas, transformando-as em sucesso da noite para o dia, outras bandas (e em geral na cena independente) necessitam criar a música, tocá-la e divulga-la de forma que possa viver o life style que admiraram por muitos anos. E esse é o caso da Bikini Hunters que pelo que percebemos daqui de longe busca levar a sua arte o mais genuinamente possível para pessoas dispostas a escutar.
Ser capaz de produzir, viver (eu disse viver, não sobreviver), curtir, compor, beber e fuder. Sim, porque a caretice passa longe desses cabras de Veranopolis RS, e isso é o que entendemos como uma vida de sucesso. Esse é o que nos parece o ideal dos verdadeiros rock stars, simplesmente de artistas íntegros. Contando já com 10 anos de estrada o Bikini Hunters está agora no momento mais alto de sua carreira. E por que digo isso? Além de tudo o que eu já falei anteriormente, também tem o fato dos caras já terem começado 2016 chutando a porta com a mesma intensidade de que são capazes, dando-nos mostras de que o rock roll deles vai durar ainda por muito tempo.
As duas pedradas lançadas como um EP respondem pelos nomes singelos de Garotas Vulgares e Gosto de Perigo. Mas não pensem vocês que teríamos aqui – numa e noutra – algo de misoginia ou machismo. Antes eu diria que as duas são lindas canções de amor, num romantismo pegada Bikini Hunters. Na verdade, me parece que as duas músicas se complementam inclusive em suas diferenças de andamento, melodia e temática. A violência, o power de Garotas Vulgares casa perfeitamente com a letra que narra o nosso – meu também – desejo de aliviar a tensão, as dúvidas e angústias que carregamos, conseguindo sua suspensão com os cachorros engarrafados. Mas que em doses cavalares podem levar-nos à merdas que todo bom bebum conhece.
No refrão dessa música sentimos o desejo de outro alívio, esse mais delicioso, que são os beijos misericordiosos que nos atingem como um tiro na nuca, despertando paixões que surgem como uma exuberante queima de fogos de artificio. Já em Gosto de Perigo, vem a lamentação pelo fim e pela perda, do perfume, da voz e do gosto pela adrenalina da companheira perdida. O álcool, esse amigo ambíguo, capaz de nos proporcionar êxtases e derrotas, conquistas e perdas.
Mas não é bem uma lamentação, afinal sempre haverá bares onde o pó será tirado pelo garçom e onde depois da ressaca conseguiremos colocar pra fora as histórias dessas garotas que nos atravessam, sublimando a dor e transformando-a em arte. Gosto de Perigo vem com um andamento mais lento, porém com a mesma intensidade de sua cara metade, denotando que velocidades e lentidões, conquistas e perdas, são o nosso yin e yang cotidiano.
O instrumental segue cheio de competência e como que o correspondente adequado de cada uma das canções. As guitarras duelando cheias de potência e a cozinha aplicando a coesão e concisão musical apropriadas à letra, sem firulas. Sendo guiado num segundo momento pelo swingue do baixão, recebendo o acompanhamento da bateria quase marcial, riffs mais lentos das guitarras até alcançar o refrão numa explosão contida diante do elogio às qualidades daquela que partiu.
A desolação e a perda de rumo em Garotas Vulgares são superadas pela certeza de que houve um erro de avaliação quando se pensou que não conseguiria seguir em frente. Em outra esquina mais uma dose, novas merdas, outras gatas, e a vida segue a estrada fraturada de incertezas e finitudes. O Bikini Hunters segue afiado, produzindo rock autêntico, forte, sarcástico e auto irônico.
Vamos ouvir que é rock roll da melhor qualidade, dá uma conferida:
Membros do Bikini Hunters:
Pirocca – Vocais/Guitarra
Lenon – Vocais/Baixo
Akiro Marco – Guitar
Kelvin – Bateria
Danilo
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