Nothing Will Ever Change The Way, última música lançada pelos Honkers é uma ode ao pessimismo embalada pelo velho rock de garagem!
Os Honkers são caóticos, não seguem qualquer lógica! Jamais crie expectativas quanto aos Honkers, elas serão esmigalhadas, reduzidas a pó, não por eles serem perversos, sádicos, nada disso, eles apenas perdem suas individualidades quando estão juntos para serem … os Honkers. Neste momento tornam-se uma subjetividade coletiva, condição na qual passam a ser mensageiros do caos. Aí meu chapa, caso queira se comprometer, o risco é todo seu!
Cada honker, separado da banda, é uma pessoa comum, como você e eu, quem os conhece sabe que é verdade. A disgraceira se materializa quando estão interligados pela banda. Juntos esses caras são uns miseráveis impiedosos. Os Honkers são imprevisíveis, selvagens, insanos, irresponsáveis, completamente alucinados e fudidamente dominados pelos apetites carnais. Contudo, quando essa potente energia atômica é canalizada, nos raros momentos em que uma ordem consegue se estabelecer, mesmo que brevemente, músicas nascem. Aí não tem pra ninguém, suas músicas seduzem tal qual o canto das sereias.
Foi num desses raros momentos de ordem tempestuosa que nasceu a faixa Nothing Will Ever Change The Way. Convidados a participar da coletânea Ruido Rosa Sessions, Vol. 1, fizeram brotar a partir de uma nova abordagem, uma música composta na primeira metade dos anos dois mil.
Nesta música o eu lírico de Sputter, vocalista e letrista da banda, jamais abandona sua compreensão pessimista sobre o ser humano. Entregue a uma visão sombria acerca da existência, incapaz de ver um pálido facho de luz no fim do túnel, tranca-se entre os muros de sua subjetividade, perdendo-se num solipsismo irremediável.
Traduzindo o título para o português, compreendemos a profunda melancolia desesperadora na qual está imerso o eu lírico da música: “Nada Mudará o Jeito Como Eu Me Sinto”. Estamos diante de uma pessoa que não consegue enxergar a possibilidade de mudança, nada será capaz de aplacar a dor, o mal estar, a náusea, o que seja, sentida por uma existência que parece ter esgotado todas as suas possibilidades de ter vivências alegres.
A forma de lidar com essa situação está em se isolar em si mesmo, assumindo uma postura reativa com relação à vida. Um pessimismo radical, perigoso, colocando-o diante da anulação da própria existência, que adoece e se torna moribunda. Os Honkers oferecem metáforas, imagens, uma miríade de representações extremamente pessimista, que sem a música certamente levaria os depressivos a procurar uma corda.
Porém, os Honkers gostam de contrastes. Embora os elementos musicais tenham momentos de tensão que enfatizam a visão pessimista contida na letra, não deixa de ter a agitação própria dos momentos festivos. Nesse sentido, a música é afirmação, pois convida a celebrar, a dançar! Essa dualidade inerente a Nothing Will Ever Change The Way permite tanto a contemplação quanto a entrega aos prazeres pela diversão!
Musicalmente a faixa se alicerça nas referências dos Honkers para se encaixar no estilo da banda. Pegada garageira tem nos subgêneros do rock do final dos 50 e início dos 60 os elementos necessários para construir a sonoridade da música. O resultado é um som de levada frenética que se resolve em momentos cadenciados, mostrando outra vez o gosto da banda pelos contrastes. Resta-nos agora esperar outro momento de convergência que transforme o caos em ordem para sermos contemplados com novas composições. A natureza rara e breve destes momentos fazem com que sejam ainda mais intensos e explosivos, resultando em composições pelas quais vale a pena esperar.
Carlim
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