30 anos do clássico disco Hip Hop Cultura de Rua: Ganha livro, que desde já se torna obra fundamental para a história da nossa amada cultura
O Hip Hop brasileiro já atingiu o status de maioridade. A cultura e o movimento importado dos guetos norte-americanos aportaram no nosso país ainda no final dos anos 80. Depois do boom do filme Beat Street (1984) e os primeiros passos “robóticos” dados por aquela juventude predominantemente preta e pobre, as periferias brasileiras nunca mais seriam as mesmas.
Não se sabe ao certo onde ocorreram as primeiras manifestações culturais da boa nova. O centro de São Paulo talvez por ser a maior metrópole do país e uma das maiores cidades do mundo, naturalmente tenha assumido esse protagonismo mas afirmar categoricamente que foi a primeira, talvez seja uma forma de invisibilizar o protagonismo de outros centros do Hip Hop.
Talvez pela falta de registros mais específicos nunca tenhamos tais respostas. Mas uma coisa é unânime, o primeiro registro fonográfico do Rap brasileiro, a coletânea Hip Hop Cultura de Rua (1988) foi o pontapé inicial da saga do Rap brasileiro que em 2018 celebra bodas de pérola, sim amantes do canto falado, o primeiro registro fonográfico genuinamente voltado para o gênero, celebra em 2018 três décadas do seu lançamento.
E para reverenciar essa obra importantíssima que mostrou aos jovens periféricos de 30 anos atrás, que era possível a realização de algo até então muito audacioso, sobretudo, para aqueles jovens que não tinham recursos pra realiza-lo, mas que ainda assim o fizeram, é que o escritor e pesquisador musical Jeff Ferreira resolveu assumir a difícil empreitada de ir além. E 30 anos após o lançamento oficial do álbum primaz do Rap brasileiro, o escritor e pesquisador dedica uma obra literária inteira sobre o mesmo. É assim que chegou às ruas o livro – 30 Anos do Disco Hip Hop Cultura de Rua (Editora: Clube dos Autores/2018).
Ao navegar pela obra de Jeff Ferreira, o leitor não somente irá desfrutar de informações acerca da concepção da obra, como também saberá dos desdobramentos da realização desse projeto desbravador para o Hip Hop do país. A obra também conta com o depoimento de diversos atores (integrantes dos grupos, produtores) da época que ajudaram o construir o universo e a atmosfera do Hip Hop Cultura de Rua. Lançado em novembro de 1988 numa aposta audaciosa da gravadora Eldorado o disco contou com os grupos: Thaíde & DJ Hum, Mc Jack, O Credo e Código 13.
Se o que dizem sobre antiguidade ser posto é verdade, a obra de Jeff Ferreira vem para além de ratificar o pioneirismo e a importância desses protagonistas que por muitos foram esquecidos ao longo do tempo, manter relevante o legado deixado pelos que moldaram e construíram os primeiros pilares de uma cultura sólida que se mantém relevante mais de 30 anos depois.
E como bem colocado pela lendária dupla Thaíde & DJ Hum ao termino do vídeo clip da clássica Sr. Tempo bom “haverá continuação”. E que ninguém duvide da força do Hip Hop...
Ouça esse clássico:
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Vandal é a Bahia profunda em seu álbum de estreia: “VANGUARDAH”
Com direção musical de Russo Passapusso, o álbum de estreia de Vandal atualiza a tradição pioneira da história do rap baiano. “EUH NAOH SOUH TRAPH NEMH BOOMBAPH, SOH PAH TEH ALERTARH, EUH SOUH MPBH, MUZIKAH PAH BAGAÇARH” Vandal produz, em seu álbum de…
Kellven Praiano e uma tradição que voltou pro mar em Corumbau – BA, “Sal Preso 2026”
MC da nação Pataxó, Kellven Praiano estreou com o disco Sal Preso, produzido por Lenis Rino e beats do Aka Nabs e de Denis Duarte. “Sou mais brasileiro, que a bandeira inteira” Em seu disco de estreia, Kellven Praiano nos apresenta “Sal Preso”, em 8…
Oddish “Castro” & Degraus Beats: “A arte de não ser suicidado pela sociedade” = “Deus me Louvre”
Oddish Castro lançou o seu 3º disco com feats de Max BO, ManoWill, Ravi Lobo, ALFÃO, Lezin e mais em seu melhor trabalho até aqui! Vivemos uma era de filtros, onde “personas” são vendidas como manequins portadoras de verdades humanas, com narrativas sendo engolidas como…
O lançamento de “Ajucity for Life” solidifica a relevância de BW para o trap sergipano
Uma análise sobre os elementos singulares que construiram a relevância do artista sergipano BW dentro do cenário de seu estado O festival Tambor cimentou uma das minhas já convictas certezas: BW é um dos maiores nomes do rap sergipano. Ao lado de Preto JB, Dayo,…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

