Em fevereiro, em fevereiro, tem carnaval, tem carnaval… mas em 2016 fevereiro também terá o lançamento de Victorius, novo álbum da Wolfmother.
A Austrália é conhecida por sua fauna bastante peculiar, povoada de animais exóticos como o canguru, o coala e claro o mais bizarro de todos, aquele misto de ave, peixe e mamífero chamado ornitorrinco. Na fauna do rock a Wolfmother é o ornitorrinco. Afinal de contas, o som da banda não pode ser definido a partir de um único gênero musical.
Elementos de vários gêneros se fundem resultando em um som híbrido, resistente a definições fechadas. A sonoridade da Wolfmother não se fecha, está sempre fugindo, levando a novos territórios, compondo-se e decompondo-se, formando-se e deformando-se sempre gerando algo, que se desfaz ao se fazer. Confuso? Não consigo dizer o som da Wolfmohter de outra maneira.
Outra semelhança com o ornintorrinco está em sua origem australiana. Há muito tempo quando se falava de rock australiano vinha a mente apenas um nome: AC/DC. Não é mais assim desde 2005, quando Wolfmother álbum de estréia da banda foi lançado. Há dez anos a Wolfmother é lembrada quando numa conversa surge o tema rock australiano.
Claro, outros nomes aparecem, mas só entre os aficionados por pesquisar o submundo do rock. Vale lembrar que no início de 2015 foi lançada uma edição de luxo do álbum homônimo Wolfmother contendo faixas bônus e outros extras. Esse lançamento fez parte das comemorações dos 10 anos do álbum.
No dia 19 de novembro, Andrew Stockdale, líder da banda, anunciou em entrevista a Billboard USA o lançamento de Victorius, novo álbum da Wolfmother, para fevereiro de 2016.
Victorius tem produção de Brendan O’Brien, conhecido por trabalhos com Bruce Springsteen, Rage Against The Machine (Evil Empire), AC/DC, Soundgarden (Uperunknown), Pearl Jam (Vitalogy) dentre muitos outros ícones do rock.
Duas músicas já foram disponibilizadas no dia 19 de novembro para apreciação dos fans. São elas Victorius e City Lghts. Você pode ouvi-las no final da postagem. São boas músicas, mas não geram expectativas quanto ao lançamento do álbum. Isso porque não mostram nada de novo.
O fato de apresentar uma sonoridade híbrida, em constante reinvenção é ao mesmo tempo a virtude e o vício da Wolfmother. Isso por que essa característica parece não permitir reconhecermos alguma transformação do ponto de vista macro.
Ou seja, do ponto de vista de sua totalidade, enquanto obras, os álbuns parecem a extensão de um mesmo álbum. Nesse sentido tanto Victorius quanto City Lights são músicas que poderiam se encaixar perfeitamente no set list de qualquer um dos álbuns anteriores.
Todos os discos da Wolfmother lançados até aqui são excelentes! Talvez se difiram apenas na intensidade que o conjunto das músicas de cada um deles conserva em si mesmo. Nesse sentido Victorius será mais um excelente álbum dos australianos.
Essa fraca expectativa a respeito do que o lançamento do novo álbum trará ainda pode ser quebrada, afinal outras faixas entrarão na composição de Victorius. Vamos nos preparando para quando o carnaval chegar!
Carlim
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