Um dos projetos mais cavernosos dos anos 70, o supergrupo West, Bruce & Laing reuniu o DNA do Cream e do Mountain no mesmo som.
Dentro das milhões de vertentes que nós temos dentro do Rock existe uma em especial que é no mínimo anarquista demais pra se encaixar dentro de um paradigma, não sei exatamente o motivo mas se você reparar, não existe nada igual a um power trio. Não é importa se é Jazz ou Rock.
Duas palavras, um mar de possibilidades. Nenhuma configuração consegue traduzir ou equiparar a sujeira que um power trio coloca em prática meu chapa, é uma equação simples:
baixo + guitarra + bateria = Cream
baixo + guitarra + bateria = West, Bruce & Laing
bateria + guitarra + baixo = Taste
guitarra + baixo + bateria = Grand Funk Raillroad
Dá pra passar o dia fazendo equação, tem ZZ Top, Budgie, Mountain… é banda que não acaba mais e citando a sua professora de matemática : ”A ordem dos fatores não altera o produto”. De fato, a velha está certa, não importa a ordem que você colocar o baixo, a guitarra ou a bateria.
E para tornar a linha de raciocínio mais palpável, a curadoria do oganpazan trouxe um dos maiores powers trio do anos 70. Um supergrupo que uniu o baixista Jack Bruce (Cream), o guitarrista Leslie West e o baterista Corky Laing, esses 2 últimos do Mountain. Senhoras e senhores, conheçam o West, Bruce & Laing.
Line Up:
Leslie West (guitarra/vocal/violão)
Corky Laing (bateria/vocal)
Jack Bruce (baixo/vocal/gaita/piano/harpa)
Abrindo essa quebradeira, surge a faixa título da bagaça, a loucura Junkie de ”Why Dontcha”. Com pinta de hit e um groove que dá uma malemolência para a dinâmica não ficar reta demais, você já sente o peso e a abordagem crua da gravação.
A guitarra de Leslie West é visceral, o Blues é seco e a dinâmica x entrosamento dos caras é absurda. Corky desce a lenha na bateria e as quatro cordas de Jack Bruce engrossam o caldo de maneira imperativa. O peso dessa cozinha é no mínimo digno de nota.
Logo depois as ondas seguem seu caminho com a beleza instrumental de ”Out Into The Fields”. Essa é um dos grandes momentos do disco e mostra a rara sensibilidade dos arranjos do multi instrumentista Jack Bruce. Em meio a um cenário completamente caótico, o mestre do baixo SG dá um jeito de meter uma Harpa na jogada!
Agora voltando com a abordagem arruaceira que permeia grande parte das gravações do trio, eis que aparece ”The Doctor”. As linhas de guitarra de Leslie seguem explodindo riffs, solos e um vocal sempre bastante marcante. As influências do Blues de Leslie e Jack se conversam muito bem e a timbragem do som dos 3 – apesar de densa – não fica embolada, escuta-se tudo e muito bem.
Esse conforto com relação às referências talvez seja o que possibilite investidas de Bruce que vão além do baixo e da voz. ”Turn Me Over” é um bom exemplo disso, nessa faixa Jack chega com uma gaita visionária.
Em ”Third Degree” Leslie chama a responsabilidade no slide, enquanto Jack opta por bolar um boogie woogie no piano de ”Shake Ma Thing”. O swingado no marfim malhado é tamanho que é capaz de levar sua mente lá para os anos 50… Pianinho cruel e que ainda marca presença em ”While You Sleep”, outro tema que mostra o feeling do trio.
Esse trabalho é de uma solidez impressionante. O disco parece um bloco maciço. São 3 dos maiores ases de seus respectivos instrumentos – todos no auge – seja criativo ou chapação e ainda em tom de colaboração. Toda essa liberdade é combustível vital para o flerte R&B de “Pleasure” e o peso absurdo de “Love Is Woth The Blues”.
O baixo gorduroso, a bateria rebocando um residência ao fundo e a guitarra de Leslie… O jeito como eles variaram os vocais trás variedade ao disco, mas sem que a união perca a identidade. Fora que é no mínimo luxuoso contar com as vozes dos 2 maiores frontmans dos anos 70 no mesmo disco.
Até hoje me impressiona o fato de que os 3 nunca brigaram pelo volume. Fazer a mix disso aqui deve ter sido um grande desafio. O baixo em “Pollution Woman” está a beira de estourar. Em diversas faixas parece que o fone vai explodir, mas o swing do Blues e um balanço quase Funkeado – que permeiam a roupagem – dá uma aliviada na pressão.
O Jack Bruce foi um dos maiores arranjadores do Rock ‘N’ Roll.
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