Violent Femmes, álbum homônimo da banda de Milwaukee, ícone post punk dos anos 80, completa 40 anos em 2023 e nós estamos aqui pra celebrar!!

Violent Femmes é uma banda marcante na história da música alternativa. A banda que se alinha à atitude punk, abre mão da eletrificação e mostra que é possível fazer um som punk autêntico usando apenas instrumentos acústicos.
Eu particularmente não consigo ficar indiferente a este fato. Isso porque graças à consolidação do formato Acústico MTV nos anos 90, da série de álbuns Som de Barzinho e mais recentemente da versão acústica de raps produzidos sob a marca Poesia Acústica, passei a considerar brega tudo feito desse formato.
Fato é que a Violent Femme consegue extrair de seus instrumentos acústicos uma sonoridade agressiva, pulsante e particular. Conseguem encontrar nessa tipo de arranjo, a forma de botar em sons as suas ideias, emoções e compreensão de mundo. Essa sonoridade acústica crua, nervosa, quase primitiva e tribal, resulta num punk folk com certos ornamentos melódicos, muito interessantes.
Lembrem-se que nesse período o hardcore vicejava de costa a costa nos EUA. Black Flag, Circle Jerks, Minor Threat e Dead Kennedys estavam em alta e pautavam as decisões de jovens perdidos decididos a preencher seu vazio existencial e social formando uma banda de rock. Os caras já foram na contramão, embora, ouvindo o álbum não dá pra desconsiderar certa influência do hardcore no som dos caras. Parece que juntaram um pouco dos dois mundos, do punk/ hardocore e da new wave.
Não por acaso chamaram a atenção do guitarrista James Honyman-Scott, quando este estava passando o som com a The Pretenders num teatro em Milwaukee. James saiu pra fumar um cigarro e viu aquele bando de malucos tocando na esquina.
Chamou a vocalista Chrisse Hynde para dar um saque naqueles três e a noite a Violent Femme estava abrindo o show da Pretenders em sua cidade natal. O ano era 1981 e li essa história na excelente matéria do André Barcinski sobre o álbum de estreia da banda. Leia você também aqui.
Essa simpatia dos Pretenders não é gratuita. Claramente viram nos caras um novo caminho possível para o que vinha sendo feito até então nas fronteiras da música alternativa. Claramente os Violent Femmes haviam conseguido romper com os formatos em voga e apontado um novo caminho a ser seguido. E claro, eles seguiram e seu álbum de estreia marcou o período.
Quero dar um destaque para as linhas de baixo de Brian Ritchie, volumosas, sempre desenvolvendo marcações constantes, que além de oferecer as referências pro vocal e pra guitarra, dá sua contribuição para tornar as músicas atraentes. Claro, o vocal amargo e angustiado de Gordon Gano nas músicas mais lentas impactam, assim como a forma enérgica que canta as músicas de andamentos mais rápidos.
“Blister In the Sun”, faixa que abre o álbum, meio que se converteu no padrão e a referência em termos de sonoridade da banda. Quero destacar também o uso de elementos de jazz na faixa Gone Daddy Gone, na qual é usada um xilofone que dá um brilho à música através das ornamentações que cria.
Poucas vezes ao longo da carreira a banda manteve esse patamar altíssimo do seu álbum de estreia. O que torna possível uma leitura ambivalente na qual o álbum é visto por um lado através de todo brilhantismo que merece e por outro ser seu calcanhar de Aquiles, uma vez que parece não ser possível desenvolver ascendentemente, na melhor das hipóteses, repetir o que fora feito logo de início.
Carlim
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