“Descese”, álbum de estreia da sergipana Tori, tem produção musical assinada por Bem Gil, Bruno di Lullo e Domenico Lancellotti e conta com coro de vozes de Tainá e das integrantes da banda Bala Desejo, Dora Morelenbaum e Julia Mestre.
A cantora, compositora e musicista sergipana Tori, radicada no Rio de Janeiro, lança seu primeiro disco solo, “Descese”, dividido em duas partes. A obra tem produção musical assinada por Bem Gil, Bruno di Lullo e Domenico Lancellotti.

Além disso, conta com a participação de Bruno Berle e com o coro de vozes de Tainá, Dora Morelenbaum e Julia Mestre, integrantes da banda Bala Desejo. O Lado A de “Descese” – um lançamento do selo PWR Records – que está disponível nas plataformas digitais desde o dia 11 de novembro.
Enquanto “ascese” é um termo amplamente difundido para dar sentido à ascensão, ao crescimento espiritual e transcendência rumo ao etéreo, “descese” vai no caminho inverso, em busca da imanência, de descender, comungar com a matéria.
“Descese / Cada vez mais gente / Um degrau abaixo do mundo / É quente”, canta Tori. O termo, embora não dicionarizado, é utilizado pela crítica literária e psicóloga brasileira Yudith Rosenbaum para se referir às epifanias vividas pelas personagens de Clarice Lispector.
Não à toa, a faixa que introduz o álbum é “Água Viva”, uma canção sombria musicada a partir da obra homônima de Clarice Lispector, que em grande medida inspira a narrativa do álbum. As demais cinco faixas do Lado A de “Descese”, são compostas por Tori.
“Na pandemia passei a fazer gravações em casa e testar possibilidades – o que se tornou o violão de ‘Água Viva’ era um piano, uma ideia que tinha feito na emoção de ter uma controladora à disposição e possibilidades de timbre. Um dia resolvi abrir o livro de Clarice aleatoriamente pra cantar algo em cima daquele piano. O primeiro trecho que apareceu eu cantei, e assim surgiu a canção“, explica a cantora.
Nas seis faixas que compõem a primeira parte do disco ouvimos também cantos de João Mário, assim como de Alexandre Damasceno, Beatriz Linhares, Júlia Sízan e Ricardo Ramos, parceiros da Ipásia, grupo aracajuano que Tori integrou. “Descese” é um retrato desses encontros todos, das confluências de desejos.
“O canto de Tori tem gosto de corte. Gosto de tempero integral, puro da terra, em formas diversas: pó, pólen, argila ou caramujos que habitam a pele. Hospedeiros viajantes, fungos e lendas em comunhão – e também em solidão. Lendas de um país profundo do futuro. Esse país é um filhote selvagem se arriscando nos primeiros tropeços, nos primeiros ecos petrificados onde perder parece com achar. Alívio na vertigem, abrigo estonteante.
Tori é raiz, terra, pedra, planta, vento, cogumelo e erosão”, define a cantora Mãeana sobre a artista e seu disco de estreia. O Lado A de “Descese” vem provar seu teor erosivo.
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