Foi com muita classe que o Jazz foi da água para o vinho em menos de 5 minutos. Com o Bixiga 70 sob o palco, foi chocante notar como o estilo fez a transição de um velho reclamão, para aquele seu amigo folgado que entra na sua casa sem bater e já chega abrindo a geladeira, como se fosse um habituê no recinto!
A platéia foi pega de surpresa, a cozinha do Bixiga estava tinindo, o som altíssimo e a parede do time de metais estava possuindo tudo e todos. Foi gratificante ver que o público estava curtindo a noite e a banda mais ainda, aliás, foi uma bela oportunidade para mostrar o repertório do disco mais recente do grupo, o terceiro trabalho de íneditas, lançado no dia 07 de abril de 2015.
Só que a noite estava apenas começando. Depois que os brasileiros foram ovacionados e saíram do palco, era hora de ver um dos maiores nomes da música instrumental no planeta! Michael League foi elementar, antes de começar a surrar seu Jazz bass, o chefia da Snarky agradeçou pelo show do Bixiga e elogio os brasileiros com bastante propriedade, comprovando que para esse cenário, a escolha de abertura foi perfeita.
Só que agora, com o combo já plenamente instalado, a mudança foi grande, os ritmos regionais do bairro do Bixiga saíram e deram lugar ao Jazz em sua forma mais livre e ácida. Uma ramificação que possui DNA nas Big Bands, mas que se confunde com a música contemporânea por fundir elementos que até os brasileiros apreciam!
A Snarky Puppy fez o que nós esperávamos. Improvisou como sempre, se divertiu como nunca e entre longas jam’s, as únicas pausas existentes foram pontuais. O grupo era ovacionado, take após take. É até injusto chamar esses caras de banda, o requinte, o feeling, a mistura de estilos, a virtuose dessa união…
É impressionante como eles dominam as composições, fazem arranjos dos mais intrincados e desenvolvem os mesmos dando risada. A interação com a platéia também foi um destaque, ouvi relatos de pessoas que se diziam cançadas de aplaudir, pois depois de pouco mais de 2 horas de show, as passagens seguiam absurdas, o feeling estupendo, e os caras ali, brincando.
Não importa se você toca Jazz ou música experimental, o som perde seu brilho depois que tudo fica sério demais. A Snarky Puppy é uma dádiva, uma união de músicos absurdos, chefiados por um baixista maluco o suficiente para mostrar que o lance é se divertir, a evolução é uma consequência natural desse fenômeno, e se for para possuir essa classe, eu prefiro dizer que sou contemporâneo desses caras… É por causa de bandas desse nível que o Jazz sente o que é ser Cool novamente!
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