Tetel Di Babuya lançou meses atrás seu último álbum de estúdio, 8.12. Nele encontramos um álbum ousado, mergulhado no mar sem limites da liberdade criativa!

Em abril de 2024 a cantora, compositora, poetisa e violinista Bebel di Babuya lançou o álbum 8.12. Não é exagero afirmar ser este um álbum complexo e que exige do ouvinte atenção e certa paciência. Isso porque Bebel ousa ao se permitir uma liberdade criativa radical. Experimenta usar elementos pouco convencionais, que se afastam radicalmente da construção musical cuja referência é o sistema tonal.
Podemos dizer que em 8.12 Tetel deixa-se guiar pela inspiração do momento, confiando na agudeza de sua sensibilidade e percepção estética. Um movimento criativo livre das amarras da prévia elaboração racional. Aliás, sugere a nós, indivíduos de um mundo cada vez mais controlado socialmente pela racionalidade instrumentalizada, que através de violência simbólica e material, empurram-nos para funções as quais não escolhemos.
Neste álbum Tetel convida seus ouvintes a ter essa experiência. Desafia-nos a nos deixar sermos guiados por outras faculdades, que coloca nosso senso estético à frente da razão. Propondo lidarmos com uma condição na qual estamos impossibilitados de antever qual será seu resultado final.
Certamente isso nos coloca numa situação de insegurança, mesmo de medo. Isso porque somos educados socialmente para agir o tempo todo de acordo com as determinações racionais. Imagina se colocar numa situação sob regência do acaso, na qual não sabemos qual será o destino final. Ficamos paralisados diante de tal sugestão.
Claro, não se trata de trocar a razão pelo senso estético, mas se permitir, em algumas situações, principalmente aquelas que envolvem arte, deixar-se experimentar a construção de si numa dinâmica de imprevisibilidade.
Em 8.12, Tetel busca elaborar uma experiência sonora através de sua poesia, elementos sonoros diversos emitidos através da sua voz e do seu violino. Caso você se permita conhecer a obra de Tetel, seus trabalhos anteriores a 8.12, perceberá que a transformação é a tônica de Tetel. Sua verve de compositora necessita de se fazer livre. E é nessa dinâmica que a transformação ocorre de modo, muitas vezes, imprevisível.
Nesse sentido, 8.12, ao menos para mim, consiste no trabalho que melhor materializa essa tônica criadora de Tetel. Ouçam e tirem suas próprias conclusões!
Conheça melhor a história e a obra de Tetel di Babuya acessando seu site, o link segue abaixo:
Site oficial de Tetel de Babuya.
Carlim
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