Studio Urbano Tattoo riscando o corpo do hip-hop, com maestria! Reunindo excelentes artistas do rap e do grafite baiano, uma cypher pesada!
Hoje é mais um dia de sacar o quanto o universo do hip-hop baiano é rico, é diverso e agora tem um apoio a mais, encarnado por essa primeira iniciativa do Studio Urbano Tattoo. Uma cypher que reúne nomes fundamentais do hip hop baiano, apresentando um audiovisual muito bem feito com uma música que tem tudo pra marcar um momento importante de fortalecimento que o hip hop baiano vem trilhando.
Filmado no bairro boêmio do Rio Vermelho, lugar onde grandes momentos da música underground baiana encontra aconchego e se considera em casa, a cypher promovida pelo canal URBN TV promete muito. Em nenhum lugar do Brasil é possível encontrar o que Salvador oferece, nossas contradições, nossas complexidades e nossa história e tradição carregam uma singularidade muito úniva com relação ao resto do país. E uma parcela importante disso está registrada nesse bonito audiovisual.
Bairro praiano, mas ao mesmo tempo lugar em que reúne a rua e a burguesia soteropolitana, o Red River consegue ser de algum modo um local que representa bem a democracia “civilizada” de nosso país. Favela e os prédio junto no mesmo espaço, as belezas naturais emolduram uma diversidade de estilos que ali encontram abrigo. Casos de racismo nos bares e casas de show, uma certa elitização rastaquera, a juventude negra disputando espaço, casas de shows diversos, artistas periféricos lá encontram um lugar para montar seus empreendimentos. É a localização do Studio Urbano Tattoo.
Heteronomia não é democrática!
É também o local onde Makonnen Tafari um dos nomes mais relevantes do Trap nacional dá aulas – em shows – e aqui manda ver em rimas certeiras e de forte cunho social e racial no trap encomendado sob medida ao mano Rai Faustino. O jovem senhor negro do Pelourinho abre espaço para DiCerqueira, homem negro e gay que mostra-nos bem em suas linhas como nosso rap vai bem, são vocês que não olham pro lado devido. A mana Janaina Noblah da continuidade com rimas que abordam nosso caos civilizatório atual, ela que sempre representa grandão em todos os trabalhos que lança.
Temos até aqui a metade – por assim dizer – desta cypher pesada com MC’s captados pelas lentes do Tarlem Lima e Lane Silva responsável pela fotografia muito bonita do vídeo. A virada do beat que mostra-nos a potência da Bonke Music, com Faustino nessa produça, encontra num take muito bem sincronizado o Bagaçador. Lukas Kintê eleva o nível em termos ritmícos e segue chamando pra jogo, o que a cypher inteira está estrategicamente colocando no game. Uma Salcity indomada, com uma produção artística grandiosa em termos de rap.
E ao longo do take que capta o Kintê, vemos o Stark, Urbano, Robson Veio num rolê de skate e o Zezé Olukemi, dois totens do rap (Olukemi e o Veio) e da música underground de nossa cidade. O mano MCDO (Afrocidade) chega pesado na virada do dia, representando não apenas o seu grupo, mas a região metropolitana da megalópole que é SalCity. Ora, até aqui já deveríamos ter percebido que estamos dentro de um quadro vivo, e esse quadro é e está sendo pintado por iniciativas como essas. A Urbano Tattoo promove uma excelente iniciativa por que conseguiu sair de peles individuais para a nossa comunidade.
“Finalizando” a cypher Numb cita Costa a Costa, Afrogueto e o mestre Finho, mais um grafiteiro e tatuador que é necessário em nosso convívio, em nossa comunidade. Dois dos maiores grupos do rap nacional e um grafiteiro que é um dos pioneiros da arte de pintar a pele preta. Ora, falamos em final, mas que bobagem, não esse não é o final. Volta, volta, volta…
Urbano, nome que dá nome ao Studio de tatuagem, que nesse momento mais do que abrir uma seara nova para outras pequenas empresas negras, é poeta e também como você verá sabe rimar. Saindo da sala onde traça linhas de modo permanente nos corpos, Urbano vem se apresentar como capaz também de fixar palavras nesses mesmos corpos. Junto com Robson Veio, ele desenvolveu o roteiro do vídeo e essa finalização que se dá com todos dentro do Studio, nos parece: Marcou as peles de quem realmente pensa o Hip-Hop baiano.
-Studio Urbano Tattoo riscando o corpo do hip-hop, com maestria!
Por Danilo Cruz
Assista o clipe antes do lançamento clicando aqui
Danilo
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Killa Bi em “É Nosso Tudo O Que Eu Olho”, a expertise de uma grande MC
Em seu disco de estreia, Killa Bi mostra-nos por que é uma das grandes MC’s surgidas no Rap brasileiro nas últimas décadas, “É nosso Tudo O Que Eu Olho” Nos últimos 6 anos, o nome de Killa Bi se tornou obrigatório para quem está atento…
NEGGS & YANGPRJ, arte e cultura Hip-Hop piauiense expandidas e renovadas, e agora?
Após 3 discos lançados, NEGGS & YANGPRJ expandiram e renovaram a arte e a cultura Hip-Hop piauiense, “Libertador part. II, o fim de um ciclo! Em seu último movimento, a dupla de artistas piauienses NEGGS & YANGPRJ, lançou o disco “Libertador part. II”, no final…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…
