Um grupo que precisa ser redescoberto pelas novas gerações, o SP Funk é pedra fundamental e O Lado B do Hip-Hop, um clássico.

Surgido em meados dos anos 1990, o SP Funk, originalmente formado pelos integrantes: Mr. Bomba e Primo Preto, logo passa a contar também com os integrantes Tio Fresh, Maionese e DJ QAP, tendo o seu membro-fundador, Primo Preto se desligado do projeto pouco tempo depois.
O grupo que já contou também com o consagrado DJ Negralha no seu elenco, só viria a lançar seu álbum de estreia no ano de 2001. O ousado Lado B do Hip Hop foi concebido graças ao trabalho coletivo desses grandes rimadores e do DJ e produtor QAP.
O seu album de estréia, o clássico O Lado B do Hip Hop foi um álbum ousado dentro do Rap no Brasil. Uma das maiores referências do que viria se consolidar posteriormente como um dos mais consagrados discos do underground brasileiro surge num momento em que o Gângster Rap, encabeçado pelo Sobrevivendo no Inferno (Racionais MC’s/1997), ainda ecoava como força hegemônica que ditava as tendências do Rap brasileiro naquele período.
O registro primaz do SP Funk trazia em seu currículo algumas marcas importantes, além de um excelente disco de estreia, surge da parceria entre o selo Brava Gente (Thaíde & DJ Hum) e a pequena, porém, promissora gravadora Trama, que em meio as gigantes, despontava como a grande novidade do acirrado mercado fonográfico nacional daquele período. E também resolvia apostar algumas de suas fichas no Rap nacional, apresentando novas vertentes do gênero musical consolidado desde o final da década anterior.
Assista esse clássico, que a música Fúria de Titãs e o clipe da faixa!
Também é creditado a esse disco, um dos primeiros registros fonográficos do mestre Sabotage, antes mesmo de lançar o seu icônico: O Rap é Compromisso (2001). Além dos já citados “Maurinho”, Thaíde e DJ Negralha, o álbum também contou com vozes consagradas do Rap, como: RZO, Z’áfrica Brasil, STA, Suave (Jigaboo), Max B.O. e Kamau, além das vocês femininas de Daniela e Vanessa. Sem esquecer de mencionar um time de produtores do calibre de Linno Crizz e Daniel Ganjaman.
No ano de 2005, em comemoração aos 10 anos do grupo, o SP Funk estampa a capa da revista Rap Brasil, a época, principal veículo de comunicação do Hip Hop brasileiro. Em 2021 o primeiro álbum desse quarteto insano do Rap nacional completou duas décadas de seu lançamento. Infelizmente, no ano passado o DJ QAP nos deixou depois de uma valente luta contra o cancêr.
Fica aqui o convite pra uma viagem de pouco mais de 1 hora ao longo das 18 faixas que compõem o disco. Ouvindo com a atenção devida você que não conhece esse trampo vai perceber que quem tem talento pode fazer discos longos com facilidade. A questão nunca foi o tempo mas como os artistas – aqui o SP Funk – consegue suspender o tempo e nos levar em um caminho intenso e cheio de ideias interessantes. Há a possibilidade de critica, a certas linhas que no período passavam batidas mas que não cabem mais hoje, porém estamos diante de um clássico.
-SP Funk com a sua estréia O Lado B do Hip-Hop permanece um clássico!
Por Paulo Brasil
Danilo
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