A série Road Shows reúne performances ao vivo do saxofonista Sonny Rollins, resgatando shows preciosos dos anos 2000.
Durante muitos anos, uma das minhas maiores vontades era sem dúvida alguma resenhar um disco inédito do Sonny Rollins. Infelizmente, isso não será possível, pois o saxofonista fez seu último show em 2012. Forçado a se aposentar em função de uma fibrose pulmonar, Sonny, além da aposentadoria forçada, foi obrigado a parar de tocar o saxofone à partir de 2014.
Depois de mais de 65 anos de carreira e uma das mais longevas e ricas discografias da história do Jazz, Sonny precisou parar, mas isso não significa que os discos não vai sair mais. Um exemplo disso foi o lançamento da série Road Shows.
Inaugurada em 2008 com o lançamento do volume 1, a série que conta com 4 lançamentos está ativa na seleção de grooves desde 2008, sendo que o lançamento mais recente da série é a quarta edição, liberada em 2016.
Sonny Rollins Road Shows:
Road Shows Vol. 1 – 2008 (Emarcy)
Road Shows Vol. 2 – 2011 (Emarcy)
Road Shows Vol. 3 – 2014 (Okey)
Road Shows Vol. 4: Holding The Stage – 2016 (Okey)
Track List:
”Biji”
”Someday I’ll Find You”
”Patanjali”
”Solo Sonny”
”Why Was I Born”
”Don’t Stop The Carnival”
Sonny Rollins – Road Shows
O Sonny Rollins foi mais um que entrou de cabeça, nessa que é uma das maiores sacadas para as bandas ou artistas que gravaram seus shows com o passar dos anos: montar uma série e lançar as gravações ao vivo com qualidade diferenciada, explorando o acervo.
Road Shows Volume 3 – 2014 (Okey)
Esse volume, por exemplo, apresenta 6 tracks registradas entre 2001 e 2012 em algumas cidades do Japão (como Saitama) e da França, com um itinerário que passou por Toulouse, Marseille e Marciac. Um dos maiores destaques do repertório dessa edição é a terceira faixa (”Patanjali”), um tema inédito de Sonny.
Um detalhe importante é que como essas gravações compreendem um longo espaço de tempo, cada faixa apresenta novos nomes e elementos no instrumental. Aqui é possível escutar o baixo de Bob Cranshaw, por exemplo, além da percussão do Sammy Figueroa e a bateria do Steve Jordan, por exemplo.
Vale a pena buscar pelos 4 volumes da seria, pois as horas de apreciação sonora serão infinitas, até por que a qualidade de som é excelente. Temos aqui quase 1 horas e 15 minutos do mais fino Jazz, e do jeito que eu e o Sonny adoramos: ao vivo.
O set list é praticamente uma viagem no tempo. Com o tema de abertura, “Biji“, o ouvinte é teletransportado para 1995, mais especificamente para o disco “Sonny + 3“, lançado pela Milestone. Com “Someday I’ll Find You“, a máquina do tempo volta para 1958 e relembra o brilhante disco “Freedom Suite“.
Em “Why Was I Born“, Sonny relembra o competente “Here’s To The People“, lançado em 1991 e com “Don’t Stop The Carnival“, o ouvinte finaliza uma verdadeira aula sobre a história do Jazz, com um dos standards que Sonny eternizou no LP “What’s New“, de 1962.
Escute a faixa “Solo Sonny” com atenção, nela, como o próprio nome já sugere, o instrumentista é o único sob o palco que está produzindo sons. Com uma abordagem que remete ao magnífico “The Solo Album“, audacioso projeto ao vivo, gravado no Museu de Arte Moderna de Nova York, lançado em 1985 – também via Milestone – o norte americano relembra a força de suas apresentações de saxofone solo.
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