Os últimos dias foram de chuva forte em Salvador, e todo mundo sabe que quando chove por aqui o caos é instalado imediatamente por toda cidade.
Deslizamentos, engarrafamentos, alagamentos, todos os ingredientes necessários para tornar a experiência de sair de casa a mais traumática possível. Quinta e sexta-feira foram dias que transcorreram dessa forma. Provavelmente por isso os turistas e soteropolitanos tenham ficado desconfiados e a maioria resolveu ficar em casa neste sábado.
Porém o céu ficou estrelado, a noite agradável, linda! Já não bastasse toda a exuberância natural da noite, aqueles que se arriscaram e saíram de suas tocas para ir à JAM no MAM foram recompensados com uma agradável surpresa.
Cheguei ao MAM lá pelas 19:00 horas! Não havia fila para comprar a entrada, não havia filas para comprar bebidas e comidas, situação atípica, pois quem frequenta a JAM no MAM está acostumado com um grande número de pessoas por lá. Entrei e a banda tocava Triste do Tom Jobim.
Assim como na parte de fora, também a parte onde acontece a jam tinha um público bem menor que o habitual. A banda terminou a música e o trompetista Joatan Nascimento começou a brincar com uma melodia bastante conhecida. Aos poucos os outros músicos foram entrando na brincadeira e de repente estavam tocando a música Quando de Roberto e Erasmo Carlos, em arranjo jazzístico claro.
Enquanto tomava minha cerveja e curtia o som, vez por outra olhava ao redor afim de identificar algum amigo. Olho à direita e vejo um sujeito barbudo usando boné aba reta de jaqueta, “na pegada”, como dizem os adolescentes soteropolitanos. A figura de certa forma se destacava das demais. Fiquei alguns minutos tentando me lembrar de onde conhecia aquele rosto.
De repente a música pára e Ivan Uol (como de costume) começa a conversar com o público. Então ele chama ao palco o famoso Lazáro, aquele que há mais de uma década roda pelos eventos musicais da cidade gritando “Toca Raul!!”.
Lázaro pega o microfone das mãos do baterista e começa a zoar os torcedores do Vitória, pois o Leão da Barra havia sido eliminado no Barradão pelo Ceará na semifinal da Copa do Nordeste. Até aí nada fora do comum já que as intervenções de Lázaro fazem parte da jam. Mas eis que Lázaro surpreende a todos! Ele anuncia a presença do músico Russo Passapusso entre os espectadores.
Lazáro começa a cantar Playsson, música do Baiana System que levou milhares de foliões à loucura durante o carnaval de Salvador deste ano. Lázaro canta, dança e saúda Passapusso que atende ao chamado e vai até o palco. Passapusso retribui a saudação com um abraço e palavras de elogio à Lázaro.
O líder do Baiana System pega o microfone das mãos de seu mestre de cerimônias e começa a cantar. Os percussionistas o acompanham batendo nas peles de seus instrumentos dando ritmo ao canto improvisado por Passapusso. Não demorou muito para os demais músicos começarem a dar sua contribuição e a jam session ganhou um novo aspecto, embalada pelo swing peculiar da música do cantor feirense.
Rapidamente a vibração do palco contagia todo público que começa a dançar hipnotizado pelo som reverberado pelo ambiente afora. Passapusso rima, interrompe, recomeça seguindo as batidas dos percussionista, inflama as pessoas e quando tudo termina todos ascendem um cigarro.
Como valeu a pena ter saído de casa…
Carlim
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