Quando se fala em Jazz vemos discografias que, endossadas por apenas um nome, geraram mais de 50 gravações! A naturalidade sempre foi a base do estilo e quando os músicos se reuniam, algo sempre ia parar no rolos, a história era escrita a todo momento e nenhum fraseado ficava sem base.
E um dos grandes nomes que marcaram presença em discos fundamentais na vida de Miles foi Red Garland, um pianista brilhante e que apesar de excepcional, foi ofuscado por Bill Evans, Herbie Hancock e Chick Corea, apenas alguns nomes que também sentaram ao piano enquanto o trompete era aliciado no época clássica.
Só que hoje (depois de 31 anos de sua morte), a crítica crava seu nome como sendo um dos mais importantes, não só dentro da carreira de Miles, mas sim dentro da história do Jazz. Além de seus discos com o dono do trompete com Wah-Wah, Red ainda gravou John Coltrane, Art Pepper e deixou uma vasta carreira solo com um requintado fraseado Blueseiro.
Escola que, é válido ressaltar, foi única dentro do arsenal de pianistas que Miles teve a sua disposição. E se você não conhece seu trabalho, creio que ”Groovy” (disco lançado pela Prestige em 1957), seja uma boa porta de entrada para as drogas mais pesadas.
Line Up:
Red Garland (piano)
Paul Chambers (baixo)
Art Taylor (bateria)
Track List:
”C-Jam Blues” – Barney Bigar/Duke Ellington
”Gone Again” – Curtis Lewis/Curley Hamner/Lione Hampton
”Will You Still Be Mine” – Matt Dennis/Tom Adair
”Willow Weep For Me” – Ann Ronell
”What Can I Saw After I Saw I’m Sorry?” – Walter Donaldson/Abe Lyman
”Hey Now”
Se Garland tivesse nascido Rock ‘N’ Roll, é bem provável que hoje o cidadão seria referência para power trios, tamanha foi sua excelência nessa modalidade. E como o Jazz também possuia um bom jogo de cintura para trabalhos com esta formação, o americano deitou e rolou tocando com dezenas de grandes músicos e mantendo apenas uma unidade em todos os seus trios: a qualidade soberana de sua lírica pianistica.
Exemplo raro e refinado de feeling, que em ”Groovy”, oferece uma faceta mais ácida de seu marfim malhado. Instrumento que exuberantemente acompanhado pelo baixo sem pontos fracos de Paul Chambers e da cadenciada bateria de Art Taylor, leva o ouvinte ao delírio enquanto as notas surgem com a naturalidade de gotas na chuva.
Impressionando pelo preciosismo nas longas jams (especialidade da casa), como na abertura do disco com ”C-Jam Blues”. Levando os mais sensíveis aos prantos com o feeling de ”Gone Again” e o tenaz baixo de Chambers ao fundo e justificando o nome do disco, com os grooves intensos de ”Will You Still Be Mine”.
Esse era William Garland, um cara que conseguia manter a estirpe não importando o estilo em que se prestava a tocar. Seja na batida mais lenta ou ao som do excelente ”Goovy” que nomeia este disco, quem escuta não só esse play, mas qualquer outro que o pianista gravou, saca na hora que ele era diferente.
Ouvir o mestre com seus trios é a melhor pedida, pois o improviso é ainda mais perceptível nas bases criativas. Deixando espaços para o baixo preencher e outros para a bateria virar, sem podar a vibração ou as contribuições alheias, apenas esperando o momento certo para desconcertar os ouvintes, ”Willow Weep For Me”, senhoras e senhores.
O piano é um instrumento duro em sua concepção material e na musical. São necessário alguns meses para que algo saia dele, mas ao som deste cara parece até fácil extrair as notas certas. Característica subjetiva, ainda mais quando falamos sobre o montante de possibilidades que temas como ”What Can I Say After I Saw I’m Sorry” possuiam ao vivo.
Mas é aí que está o grande segredo, todas as composições deste gigante não geram segundas opiniões, elas surgem absolutas, tal qual seu único tema autoral para esta gravação. ”Hey Now” só não é perfeito por que o cara era humilde, de resto, ”Groovy” está quase lá.
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