PsiCORDÉLico lança seu EP de estréia unindo política, psicodelia e cordel num caldeirão de influências musicais e literárias nordestinas!!!!
Banda da cidade de Irará, PsiCORDÉLico é um projeto que pretende unir em seu caldeirão musical diversos ritmos nordestinos ao rock, tendo na psicodelia a substância que reconfigura sua percepção da realidade. Utilizando o literatura de cordel como veículo literário para emitir um discurso politico de resistência e embrulhando tudo isso com muito humor, os caras lançaram seu primeiro EP homônimo: PsiCORDÉLico (2018).
Tendo seu núcleo criativo na dobradinha entre o cordelista Kitute Coelho e o guitarrista solo e produtor musical Irênio Neto, o grupo apresenta uma proposta musical nova e muito divertida. Unindo os ritmos musicais mais diversos, passeando pelo Coco e pelo forró, se inspirando no Pink Floyd e em Tom Zé, sem esquecer do rap e da utilização das pick ups, produziram 4 faixas embaladas num ep que vale cada segundo.
Completando essa dupla, temos ainda nessa banda e segurando a onda com maestria, os músicos Rodrigo Dantas no baixo, Nielton Marinho na bateria e sampler e Paulo Ramos na guitarra base. Nessa junção possuímos a musicalização de letras contestadoramente divertidas que compõe o primeiro EP dos caras e abre novas perspectivas para a tradição do rock nordestino.
Já no “Prólogo“, com uma bonita recitação sob clima e base eletrônica, somos levados a entender o quanto essa trupe leva a sério as produções culturais que de modo geral são também produções de conhecimento. E essa produção de conhecimento capaz de desvendar os momentos de horror social e politico em que vivemos é o tema da ode á resistência: “Educação e Cultura“, apontando como único caminho para o desenvolvimento espiritual e material de um povo. Num time muito bom com os tempos “temerbrosos” em que vivemos, num heavy baião de encher os ouvidos.
A faixa seguinte segue num ritmo de enfrentamento político, PsiCORDÉLico, faixa duplamente homônima, é de algum modo uma carta de intenção. De franca inspiração no manguebeat, com toques de reggae, a música esclarece ao ouvinte da necessidade artística e politica da banda em ser a mosca na sopa dos nossos poderosos, ao mesmo tempo em que forja um discurso contra hegemônico.
Mas e o Cordel tá onde mesmo, poderíamos nos perguntar após as três primeiras canções, questão que é plenamente respondida na faixa “A Maconha Que Virou Incenso de Procissão“. Se em Educação e Cultura, a métrica do cordel está a favor da canção, aqui é a música que está a favor do cordel. Nessa faixa, a música encontra o poder de evocação imagética que a descrição poética do cordel possui, com excelência. Hilária, criticamente afiada, musicalmente inteligente, performada com maestria por Kitute Coelho, a faixa é uma porrada contra a politica de guerra às drogas.
“Sinhá Luzia” segue na linha da irreverência e propõem através de um HardCoco pesado em suas guitarras e ritmicamente dançante, uma reflexão sobre a tecnologia e as redes sociais, ao tomar uma pessoa de “mais idade” como personagem da canção. Fechando assim o EP de estreia com apenas 4 faixas mais muitos caminhos musicais abertos.
Não recordamos, com exceção do Cordel do Fogo Encantado, outro grupo do nordeste a incorporar tão bem o cordel em seu mote musical de pegada rocker. Os PsiCORDÉLicos, se diferem do grupo supracitado pela música que produzem, por trazer o cordel no bojo de uma variedade de ritmos, abrindo assim novas possibilidades nesse filão a pouco inaugurado na música popular brasileira.
Vamos ficar ligados nos próximos passos desses caras e enquanto isso, escutem o EP:
Danilo
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