Projeto Preto – X Da Questão (Videoclipe) Monte a equação completa desse grupo que prevê o asseguramento da negritude na cultura hip-hop!!!!
Na música Jogo de Negro (2016), uma produça responsa do grande DJ Neew, o Projeto Preto escurece as ideias para um público que muitas vezes posa naquela velha pegada Morgan Freeman, o rap não tem cor. Os reaça do rap ou se colocam na pegada do alma não tem cor, ou naquela outra, meritocrata. E é contra essas e outras fitas que o grupo tem construído um sólido trabalho.
Ora, é um papo bem bonito e humanamente válido se desconsiderarmos pelo menos os últimos 500 anos de história do nosso país e consequentemente os últimos 20 do rap nacional. Pois bastou o rap começar a gerar dinheiro, que os playgrounds se movimentaram a milhão para “fazer parte” do movimento. E Jogo de Negro (2016) vai de modo firme e historicamente bem embasado escurecendo cada um desses pontos.
Quem não é ingenuo, ou seja, quem é genuíno sabe bem de onde vem e qual a origem dessa vontade de “fazer parte” e pior, como a industria cultura se apropria desse discurso de alma não tem cor. Obviamente que estamos aqui falando de uma parte do rap branco da qual, rappers como Eduardo (Ex-Facção Central) e outros não fazem parte. O Projeto Preto nasce em 2016 e originalmente tinha como integrantes seus membros fundadores, D’Ogum e T.R., que saiu do grupo no final do mesmo ano.
Entre idas e vindas, o grupo nascido com o nome de Universo Paralelo muda para o nome atual, e na mesma medida em que sai de algo mais universal mesmo que paralelo, também afunila sua proposta ao se nomear Projeto Preto. E a proposta é de algum modo bem simples: “voltemos às raízes, entendamos que o rap é coisa de preto”, talvez pudesse ser assim simplificada a proposta.
No entanto, o racismo em suas diferentes matizes, da estrutural à epistemológica, estético, enfim, dificulta esse entendimento. E é aí, que as músicas do grupo cumprem uma função bem didática. Nada mais natural do que entender como o nascimento da cultura hip hop está ligada a uma parcela da sociedade que foi e ainda é, durante toda a história desse país a maioria populacional e a mais lesada, morta, roubada, etc…
Entender o hip hop como arma estética de contestação politica e social provinda da nossa negritude, é talvez o principal alicerce sobre o qual o Projeto Preto erige suas rimas e batidas. E depois do lançamento de Assim Que os Preto Faz em 2017, parece que começou a ficar mais escuro quais eram os propósitos, e que estes não são apenas teóricos, musicais, históricos e de denuncia dos sofrimentos do povo negro.
Já nesse corrente 2018, veio um clipe colagem muito mas muito bacana, Mina de Ouro (2018). Nesse single, o grupo trazia além do excelente audiovisual violentamente bem humorado, e uma sequência de flows absurdamente bem colocados, com muita técnica. Uma lírica, algumas poesias em ritmo, para elevar a auto-estima do povo preto. Mas um peça de uma equação que vai aos poucos sendo montada, pra promover a função de escurecer o rap, como deve ser.
Agora em julho último. o grupo atualmente formado por Anarka, DenVin, D’Ogum e Vibox, largou um som muito bom, em homenagem ao grande Malcon X, com a produção de um videoclipe de primeira. X da Questão (2018) acerta no alvo em diversos níveis, e nos ajuda aqui a montar a parte final da equação que o Projeto Preto vem tentando criar, e consequentemente resolver.
O vídeo clipe que contou com a produção de Narceja e tem o roteiro do beatmaker do grupo Vibox, que também dirige o vídeo junto com Luiz Franco. Todo rodado num único plano sequência onde a bola vai sendo passada entre os participantes, atores/mc’s. Ilustrando o refrão: Visão/Ação/Pra Ascensão, como que uma mensagem, capaz de despertar o povo para o qual, é o verdadeiro X da Questão.
O audio visual faz ainda com a utilização do plano sequência e as imagens que vão pipocando na tela, um jogo interessante entre o passado das referências utilizadas e o presente que precisa ser de luta. E assim talvez tenhamos a função buscada pela equação que o Projeto Preto lança dentro do cenário do rap e da cultura hip hop nacional.
Com uma poesia que não se pretende meramente mu conjunto de wordplay, punchline, e linhas pesadas apenas no plano metafórico. O Projeto Preto em suas músicas e áudio visuais parece convocar a juventude negra para uma luta, para ações que só no game life das aparências está adormecida. A fúria negra precisa ressuscitar outra vez, e o Projeto Preto tem aplicado doses cavalares com seu desfibrilador poético-musical, assista.
Danilo
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Oddish “Castro” solta single e EP como um prólogo para o “ÉPICO da SUJEIRA”
Um dos grandes nomes do Rap baiano, Oddish “Castro” lançou o single “Gargantilha” e o EP “Pernambués” com produção do El Piva. O mês de abril tem marcado o retorno do MC Oddish “Castro” ao cenário do Rap baiano, com lançamentos que preparam o seu…
Pós-Salvando “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, resposta ao seu áudio Mattenie!
Saiu hoje o segundo disco da dupla Matéria Prima & Goribeatzz: “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, contando com 13 tracks pelo boombap e o house! Disco novo da dupla Matéria Prima & Goribeatzz, com baixos estratégicos do Cizco, DJ Novset riscando, Cravinhos em guitarras…
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

