Os Informais começaram 2016 com o pé na porta. Lançaram o clipe da música Respiro Fundo e mostram que o pop rock baiano está a todo vapor!
A cena rocker baiana é formada pela diversidade. Nossa realidade musical não faz jus à imagem bastante difundida no sul de que musicalmente somos apenas axé, pagode e arrocha.
Pensar isso é desconhecer a multiplicidade musical do nosso estado. Os Informais fazem parte desse cenário trazendo para os holofotes o pop rock feito em Salvador. Em 2015 a banda lançou os singles Tarja Preta e Respiro Fundo. No dia 29 de fevereiro Respiro Fundo ganhou um clipe.
A música carrega referências musicais que fogem dos formatos desgastados, pasteurizados para fácil assimilação de um público pouco preocupado com a estética musical. Enquanto a maioria das bandas pop segue bovinamente as tendências ditadas pela Indústria Cultural, Os Informais buscam trilhar seu próprio caminho.
Respiro Fundo, o clipe, faz uma relação interessante entre som e imagem. Existe uma tensão na música que é captada de forma detalhada por Glauco Neves, diretor e roteirista do clipe, e transmitida de forma contundente pelas imagens.
O excelente trabalho de montagem do clipe conjugada à construção visual da narrativa leva o espectador/ouvinte a se angustiar juntamente com a personagem, interpretada por Pedro Pondé. O figurino e as locações sugerem uma realidade distópica, constituída por sentimentos conflitantes, sempre causando sensações claustrofóbicas. O contraste entre o amarelo da roupa usada na proteção contra contaminação e a paisagem acinzentada ao fundo, evidencia a pouca vida existente naquela realidade.
Em contrapartida existe a luta em busca da superação dessa sensação de impotência, desse estado de angustia. O clipe começa com a câmera focando os olhos de um jovem, cuja expressão facial mostra a insatisfação que corrói sua alma. O movimento da câmera para trás revela aos poucos o contexto no qual aquele jovem está inserido. Ao fundo, escombros, o jovem está em foco, sentado com um taco de baseball nas mãos. Seguem-se cenas em que o ele levanta-se e passa a se movimentar em situações que exigem de si agressividade.
O título da música/clipe sugere momento de catarse, a busca pela força existente dentro de si que impulsione o corpo à resistir. Aquele instinto primitivo, que se impõe à consciência, colocando-a em stand by, promovendo a luta pela sobrevivência. Há essa dualidade no clipe, que sugere uma situação de destruição, pessimista, mas que não consegue anular por completo o desejo de permanecer vivo.
Podemos considerar que o clipe trata de uma metáfora à nossa própria realidade. Vivemos em constante luta contra forças que buscam nos anular e extrair de cada um de nós a energia necessária para movimentar a própria estrutura que nos oprime violentamente. Do outro lado vem a luta que muitos de nós travam cotidianamente contra essa gaiola que nos aprisiona. Respiramos fundo, afim de encontrar a força necessária para seguirmos vivos, para seguirmos lutando.
O clipe de Respiro Fundo marca uma nova etapa da carreira dos Informais, pois após este lançamento, iniciaram as gravações do seu primeiro álbum, que contará com a produção de André Tavares.
Os Informais são: Daniel Calumbi (Voz), Juan Sampaio (Guitarra), Mário Borba (Guitarra), Elton Cardoso (Bateria) e Wagner Campelo (Baixo).
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Ficha Técnica:
Os Informais
Música: Respiro Fundo
Produção Musical: André T. 2016
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Produzido por Attack Estudio
www.attackestudio.com
www.vimeo.com/glauconeves
—
Ator: Pedro Pondé
Direção Geral / Direção de Fotografia: Glauco Neves
Assistentes de Direção: Fabrício Carvalho e Henrique Duarte
Edição e Finalização de Vídeo: Glauco Neves
Argumento: Glauco Neves e Os Informais
Roteiro: Glauco Neves
Câmera A:Glauco Neves
Câmera B: Fabrício Carvalho
Produção: Attack Estudio e Os Informais
Carlim
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