
A série Estopim: Conversa & Show nos apresenta um delicioso panorama do trabalho deste selo musical, servindo como um ponto de encontro onde várias pessoas se reúnem em frente às câmeras para contar histórias daquele momento da cena musical soteropolitana.
Fabiano Passos – idealizador da Estopim – sentado junto com seus amigos, nos oferece um espetáculo singular. Acontecimentos contados em meio a risadas e causos daquele “nosso tempo” que vão aos poucos descortinando a história recente da música independente da nossa cidade.
São vários os nomes e as ligações. Encontros que possuem importância reconhecida nos anais das ruas, em conversas de punks e rockers velhos (Estamos Vivos!). Quilombo Cecilia, Na Mosca, Colé Mermo, Maniac, Mutantes, Idearium e por ai vai. Quem tem de 27 anos pra cima já deve ter pelo menos ouvido sobre esses lugares.
Os entrevistados são figuras importantes da nossa cena musico-filosófico-gastronômico-esportivo-cultural e nos contam em primeira mão sobre esses desenvolvimentos, falências, recomeços e ramificações. Robson Veio, Sista Katia, Luciana Rangel, Robson Finho, Rogério Bigbross entre outros.
Assistindo a todas essas conversas (sim, já vi todas e estou esperando a segunda parte do Rógério Bigbross) podemos notar um pavio que se conecta como um rizoma na vida de todos eles, formando seus planos de composição. Essa trilha também tocaram os nossos planos e certamente ajudou muitos a descobrir e curtir bandas, cenas, ideias, comidas. Enfim, é muito interessante ter acesso a todas essas histórias e descobrir que, às vezes, pessoas que estão longe também nos ajudam em nossas formações.
Poucas raízes comuns, origens distintas e que desenvolveram caminhos diferentes dos sonhados, mas que ao mesmo tempo permanecem plenamente interligadas. Linhas de vida que ramificaram, encontrando-se com destinos não suspeitados ou que resistiram e ampliaram-se.
Hoje essas linhas se conectam na frente da câmera, se olham e falam nos permitindo conhecer a riqueza, as dores, alegrias e sofrimentos de todas essas trajetórias. Histórias pessoais que são imediatamente coletivas, porque seguem produzindo arte e cultura, mesmo que não diretamente vinculados com a música hardcore.
Como toda boa conversa, são diversos os temas abordados, já que não se propõem a recontar de maneira cronológica a história recente do cenário underground de Salvador. Não são entrevistas. O que a série nos apresenta são conversações, e neste sentido podemos aprender muito com a perspectiva de cada um que ajudou e ainda ajuda a manter o rock na Bahia.
De um jeito ou de outro todos os participantes permanecem promovendo a cena, seja nos alimentando, informando, promovendo ou criando. O que elimina de saída qualquer traço mórbido de nostalgia. A própria Estopim parece se alimentar deste projeto como ponto de reinício de uma trajetória que agora se dedica ao áudio visual.
Essa produção cultural contaminou muitas pessoas e aproveito o momento para agradecer pela parte que me toca. Sim, este que vos escreve não pôde deixar de notar que os discos do Sin Dios, do Jason, do Mukeka di Rato, do Minor Threat que caíram em minhas mãos por volta de 2002, vieram de um jeito ou de outro desta galera. Assim como provavelmente muitas das bandas de hardcore e shows que foram devorados na virada do século, foram de alguma forma fruto das ações da Estopim e das pessoas que estavam juntas com eles.
Só me resta agradecer por toda essas histórias (suas construções politicas e afetivas) e desejar força nessa caminhada e muitos anos de vida. Desejar também que os erros sejam errados da melhor forma, para que o amor pela música, pela liberdade e pelo do it yourself nunca morra.
Acesse e se inscreva no canal oficial dos caras no youtube para ficar por dentro dessas incríveis histórias do universo underground de Salvador.
Danilo
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