Isso realmente não se explica, e as pessoas evitam entrar nesse mundo, pois é mais complicado falar com o lado direito do cérebro. É raro, desconcertante e muito pessoal, observar quando um músico tenta passar sua visão de mundo sem falar ao menos uma palavra, é um senhor paradoxo.
Celebrações sonoras como o festival (instrumental only), que o Mundo Pensante transformou em sinônimo para o rico vocabulário instrumentown do Mescalines, Bombay Groovy, Tigre Dente de Sabre e Bmind. A cena paulista estava em peso!
![]() |
| Flyer: Vanessa Deborah |
As 4 bandas envolvidas no line up eram bastante diferentes entre si. Creio que apenas o Bmind e o Tigre Dente de Sabre possuiam influências convergentes em virtude da música eletrônica presente nos 2 sons, mas a riqueza estética definitivamente foi um dos destaques dessa noite sem verbos.
E a primeira conjugação instrumental surgiu quando o Mescalines foi para o palco. O primeiro duo da noite se posicionou e logo de cara o clima de instrospecção sinérgica da dupla tomou o ambiente. Mariô e Jack Rubens pouco se falam quando estão tocando, mas aí é que está o lance, se o som é instrumental, a química também precisa ser livre de palavras, por isso que o Blues xamânico dos caras usa e abusa da telepatia em riff’s.
É como se fosse uma moeda de troca. O elo que sustenta o Jazz e Blues, que com esse ato, é apenas um corpo de ideias para invocar o ritual dos nômades do Sahara, enquanto o Blues justifica a espiritualidade que mostrar o caminho que nos tira do nada, e serve de guia para chegar ao lugar nenhum, libertando nossas mentes.
O set foi seco, na lata, sem frescuras. Um momento que foi a síntese dessa união, evidenciou uma banda no topo de seu jogo e mostrou que a música não possui limites quando existe a fusão de gêneros. Creio que foi um momento de ruptura bastante intenso e que antecedeu mais um belo show da Bombay Groovy.
Foi com um arsenal de peso que o trio fez um de seus shows mais completos. Bourganos mostrou que o sitar vai bem, obrigado, mas de fato, existem coisas que apenas uma guitarra fazem por você. Leonardo Nascimento administrou a jam com o costumeiro peso e elegância, enquanto Jimmy seguia alimentando as teclas com a fidalguia que apenas um Hammond consegue instaurar.
O repertório foi bastante interessante também. Passamos pela emocionante ”Chakal”, a evolutiva ”Aurora” e contamos também com a participação de Erico Jônis no baixo, hippie cósmico que tratou de acrescentar um belo conjunto de notas graves na jam, além é claro, de evidenciar um fato: o Bombay funciona em qualquer formato.
Foi uma grande noite. O som começou relembrando as raízes do Blues/Jazz, chegou à fusão do oriente/ocidente com os termos psicodélicos da Bombay e sua música multiétnica, mas ainda faltava algo. Precisávamos do conceito artístico do Tigre Dente de Sabre e sua imersão de músico erudita, experimentações eletrônicas e potentes sintetizadores.
A riqueza foi estonteante, a segunda dupla da noite foi responsável por seguir mostrando a evolução da música. Apresentando um show milimétricamente calculado. repleto de insights advindos da música clássica e com um sincronia fina entre o bass/sinth de Marcos Leite e a precisão da bateria de Gui Calzavara, acredito que as presas do tigre ficaram bem visíveis.
Foi um dos picos da madrugada. A platéia respondeu muito bem e foi interessante ver como a cozinha dos caras faz o público pulsar com essa estética única de ”Trance clássico”. Foi uma experiência e tanto, mas ainda faltava algo, a música instrumental só estaria completa e encerraria seu ciclo, depois que o Bmind mostrasse com quantas desconstruções é possível remontar a sua realidade.
Com a cozinha mais eletrônica da noite, o Bmind mostra como a música, seja ela qual for, consegue absorver resquícios de modernidade. A fusão de beats eletrônicos, passagens ambientes e takes analógicos, conseguiram deixar a live session de Jaime Bmind e do trompetista Roger Brito, bastante orgânica.
A participação de Brito foi bastante significativa. Seus insights nos metais blindavam as músicas com muita classe e feeling, trabalhando com camadas longas e cristalinas de uma maneira bastante peculiar. Inclusive, essa foi a conexão que conseguiu mensurar a profundidade de uma inventiva cozinha, concluindo uma viagem que cumpre a difícil tarefa de unir o Techno, seu comparsa Minimal e a linha Spiritual no mesmo shot de realidade.
Boogie on Reggae woman:
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Killa Bi em “É Nosso Tudo O Que Eu Olho”, a expertise de uma grande MC
Em seu disco de estreia, Killa Bi mostra-nos por que é uma das grandes MC’s surgidas no Rap brasileiro nas últimas décadas, “É nosso Tudo O Que Eu Olho” Nos últimos 6 anos, o nome de Killa Bi se tornou obrigatório para quem está atento…
NEGGS & YANGPRJ, arte e cultura Hip-Hop piauiense expandidas e renovadas, e agora?
Após 3 discos lançados, NEGGS & YANGPRJ expandiram e renovaram a arte e a cultura Hip-Hop piauiense, “Libertador part. II, o fim de um ciclo! Em seu último movimento, a dupla de artistas piauienses NEGGS & YANGPRJ, lançou o disco “Libertador part. II”, no final…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…












