A banda Nova Malandragem mostra a força da música instrumental da periferia de São Paulo e reflete sobre “novas malandragens” enquanto estratégias de sobrevivência.

A Nova Malandragem acaba de lançar seu primeiro álbum, que dá ênfase à música instrumental das periferias de São Paulo. O álbum oferece um conjunto de músicas prontas para agitar os bailes. Claro, assim que a pandemia for controlada.
Produzido por Marco Mattoli, do veterano Clube do Balanço, a banda une a percussão brasileira com o brilho da orquestra de metais. Neste álbum, os instrumentistas destacam a sonoridade da black music e mostram a forte conexão com suas ancestralidades, abrindo novos caminhos e possibilidades para a música instrumental brasileira.
O disco faz parte do novo selo de samba “Mundaréu Paulista” da gravadora “YB Music”. Seu Quinócio (Luan Charles), Sampa Rock (Léo Brandão), Gravidade (Marco Mattoli-Roberta Gomes), Moanin (Bobby Timmons) e Seu Quinócio – instrumental (Luan Charles) formam o repertório do EP.
A banda é formada por Luan Charles, Atila Silva (trompetes), Everton Martins, Ian de Souza Arruda (trombones), Danilo Rocha (sax alto), Léo Brandão (sax tenor), Wellington Souza (sax barítono), Mateus José (baixo elétrico), Gabriel Cartocci (guitarra), Matheus Marinho (bateria), Lucas Souza, Danilo Rodrigues, Clency Santana (percussões). Os músicos, vindos na sua maioria das periferias de São Paulo, foram alunos da Escola do Auditório Ibirapuera, de grandes nomes da música instrumental brasileira, como Nailor Proveta e Walmir Gil, Edson Alves (Banda Mantiqueira), Maestro José Roberto Branco (Banda Savana).
“A Escola do Auditório Ibirapuera foi, para a maioria de nós, um espaço de (re)conhecimento e descoberta dessa plêiade de gêneros musicais que compõem aquilo que hoje chamamos de Música Popular Brasileira. Foi lá, ao lado de renomados maestros, músicos e professores, que pudemos desenvolver uma formação voltada à produção artístico-musical de uma afro diáspora brasileira ainda muito pouco estudada em conservatórios e universidades do Brasil” conta Luan Charles, um dos membros fundadores.
E completa,“Uma vez que banda traz em sua formação instrumental uma maioria de homens negros, visados ao cárcere e ao extermínio sistêmico, todo ou qualquer trabalho desenvolvido por nós revela implicitamente e explicitamente, as dimensões políticas de nossa existência; inclusive, no mero fato de existirmos enquanto banda.”
Nova Malandragem surgiu em setembro de 2017 como um trabalho de educação musical dentro das escolas públicas da Grande São Paulo. O grupo foi ganhando forma e popularidade, e então, foram convidados para tocar num evento promovido pelo coletivo “Samba Rock Na Veia” na Casa das Caldeiras. Daí em diante a banda seguiu modelando seu repertório dentro da dinâmica dançante dos bailes de samba-rock.
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