Selecionamos mais um Top 5 de discos maravilhosos da música japonesa através da curadoria de Gian Paolo La Barbera
Quem conhece o trabalho do Oganpazan sabe que aqui procuramos presar pela diversidade musical. A nossa ideia sempre foi falar de música de maneira aberta, sem se restringir a nenhum gênero específico, mas focando naquilo que de alguma forma nos toca e nos faz sentir uma necessidade enorme de compartilhar com outras pessoas. Essa necessidade move o Oganpazan e dá ao site uma qualidade peculiar, mesmo que volta e meia esbarremos no muro do sectarismo e na sua insistência em separar o público em grupos isolados.
O que buscamos é justamente quebrar essas barreiras, fazendo com que públicos diferentes tenham contato com os mais diversos tipos de experiências musicais. Sabemos que não é uma tarefa fácil, mas continuamos nesse trabalho hercúleo e estamos sempre de olho em novidades e iniciativas interessantes que, de uma maneira ou de outra, comungam do mesmo objetivo.
Nesse sentido, a página de facebook do ilustrador Gian Paolo La Barbera é uma mina de ouro para nossos ouvidos inquietos. Lá encontramos indicações inusitadas e valiosíssimas sobre o mundo da música; que têm ajudado bastante a estender o nosso repertório.
Assim, temos o enorme prazer de compilar nessa matéria cinco indicações feitas por Gian Paolo La Barbera de discos importantes da música japonesa, porém pouco conhecidos do público brasileiro. Esse é um tipo de conteúdo que você não encontra em qualquer lugar e ficamos muito felizes de tê-lo em nosso acervo. Sem mais delongas, sigam o cara no facebook e vamos às indicações.
1- Akiko Yano
O primeiro álbum de Akiko Yano foi lançado em 1976, dois anos antes de Lionheart, a estréia de Kate Bush.
É só ouvir as primeiras demos da ultra compositora britânica produzidas por David Gilmour pra sacar que ela já era um prodígio, mas as similaridades com o trabalho da artista nipônica são muitas, principalmente no timbre vocal e nos arranjos que eram uma fusão muito bem arquitetada de progressive pop com avant garde.
Japanese Girl foi gravado em Tóquio e em Los Angeles com o instrumental da rapaziada do Little Feat e ter Lowell George & CIA em um disco que definitivamente não é pra qualquer um!
Toda a humanidade precisa urgentemente ouvir essa obra prima.
Uma maravilha da primeira até a última faixa ou, como diria o vigésimo oitavo Mestre Ancestral: pura magia convertida em ondas longitudinais.
2- Chu Kosaka
As canções mágicas que encontrei ao ouvir pela primeira vez Horo me deram a certeza de que sua misteriosa capa vermelha transmitia perfeitamente seu conteúdo.
Chu Kosaka lançou sua obra prima em 1975, pouco antes de ter uma epifania e se converter ao cristianismo após sua filha ter sido salva em um incêndio.
Um dos meus álbuns preferidos nipônicos, Horo é um dos precursores do que viria a ser conhecido como City Pop, na época ainda sob a alcunha de Wasei R&B, fazendo a ponte entre a soul music, o rock e o pop com a música japonesa.
Aqui, Kosaka se afasta da folk music de seus trabalhos anteriores pra fazer algo mais funkey, recheado de vocais soulful, pianos elétricos, sintetizadores e arranjos de cordas. Haruomi Hosono, outro mestre do pop japonês, deu as caras e meteu a mão de midas dividindo temas, arranjos e a produção.
Inteiro absurdo, um dos melhores discos do pop japonês de todos os tempos.
https://www.youtube.com/watch?v=Tv0LG1f9eUw
3 – PAO
Difícil encontrar informações sobre o PAO, trio vocal nipônico formado por Sabine Marianne Kaneko, Fumiko Miyazaki e Yoshikazu Miura que lançou um único álbum em 1980 além de alguns singles anteriores.
Fãs de AOR City Pop, com ecos de Steely Dan, Manhattan Transfer, Chic e toda a disco e o smooth jazz do final dos 70’s podem ficar avonta e deleitados por deveras com essa audição. You, de onda em onda sonora, é sofisticação pura, cantado em sua maior parte em inglês, com algumas canções na língua nativa.
4 – Joe Yamanaka
Uma das trajetórias mais inusitadas do showbiz certamente teve o cantor, ator e voluntário para assistência em países em desenvolvimento Joe Yamanaka.
Entre seu início, peladão em cima de uma Honda na sabbathiana banda de heavy psych nipônica Flower Travellin’ Band e a colaboração com os Wailers após a morte de Bob Marley, Yamanaka ainda teve uma carreira solo prolífica nos anos 70.
Recomendadíssimos os álbuns Joe de 1974 e To The New World de 1977 que é o registro do lado mais funkey do artista.
5 – Taeko Ohnuki
O boom econômico do Japão pode ser considerado um dos motivos que explicam a grandiosidade e excelência da música gravada naquele país a partir do pós guerra. Desde a engenharia de som até a qualidade impecável dos arranjos, o design gráfico das capas e o fantástico grupo de excelentes instrumentistas que figuram em muitos dos álbuns aqui citados, tudo beira a perfeição.
Sunshower não é diferente. Tatsuro Yamashta, Haruomi Hosono, Yu Imai, Ryuichi Sakamoto, todos icônicos nomes do pop japonês das décadas de 70 em diante, abrilhantam com sua presença esse marco do que ficaria conhecido como City Pop. Japanese grooooooooooove at his best!!!!!!
Segue o link pra ouvir essa gema simplesmente maravilhosa e indispensável.
– Música japonesa em 5 discos fundamentais
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São todos excelentes! adorei ter conhecido.