Stanley Jordan, um dos guitarristas mais inventivos das últimas décadas, estará presente no Rio Montreux 2020 e nós batemos um papo com ele!
A música possui diversas convenções. É engraçado como a medida que se pesquisa, nota-se já um público muito mais aberto a certas ideias. Mais do que isso, é possível compreender por que músicos extremamente inventivos tiveram dificuldade para externalizar sua verdade.
É importante assimilar conceitos básicos como a mudança do tempo, até pra se compreender a importância de certas inovações. Na maioria dos casos, muitas delas não foram bem recebidas quando surgiram e em certos momentos da história, só obtiveram o devido respeito após a morte do compositor.
É um cenário complicado, mas que vai soltando suas amarras estéticas conforme o mundo gira e o tempo passa. É um trabalho de desconstrução, é a famosa água mole em pedra dura. Uma hora a pedra se rompe e a água sai da bolha.
É como uma metamorfose, uma dádiva, tal qual a oportunidade de entrevistar um dos grandes expoentes da guitarra nas últimas décadas, um nome responsável por tanta inovação. Stanley Jordan, senhoras e senhores, um dos últimos instrumentistas que nos fez rever as possibilidades da guitarra.
Um músico de exímia técnica, inventor da “Touch techique“, como o próprio chama – a famosa técnica do toque – na tradução, o meliante trouxe um novo horizonte sonoro e com certeza vai continuar impactando as gerações que estão por vir.
Em função de sua escalação no luxuoso Line Up do Montreux Rio 2020 – em show realizado ao lado do brasileiríssimo violonista, Diego Figueiredo, aproveitamos a oportunidade pra entender um pouco mais sobre a vida e a obra do guitarrista e pianista.
Vale lembrar que para acompanhar as transmissões do festival, basta se inscrever no canal do Montreux Rio no Youtube. É só clicar no link e acompanhar os shows!
Confira a entrevista:
Oganpazan – Com você vê a sua técnica influenciando a simetria das suas composições?
Stanley Jordan – A técnica do toque me permite aplicar texturas pianisticas de duas mãos na guitarra, mas o dedilhado na verdade é mais fácil de ser executado na guitarra do que em um piano.
Isso acontece por que você usa o mesmo padrão, independente de estar tocando algo com a mão esquerda ou a direita. Com isso, certos aspectos simétricos, como nos casos de oitavas paralelas, por exemplo, na verdade são mais fáceis de fazer na guitarra do que no piano, como eu disse antes.
E também, eu não posso me esquecer que antes de utilizar essa abordagem, eu comecei a afinar a minha guitarra em todas as quartas (EADGCF). Essa afinação é mais simétrica do que a afinação padrão, além de facilitar padrões, musicalmente falando.
Oganpazan – Uma vez eu li um artigo sobre jam bands e o autor disse que uma jam session não tinha objetivo. Por outro lado, quando você improvisa, não quer dizer que você cometeu um erro, mas que você também está tentando descobrir como você vai reagir naquele momento. Como você vê esses 2 processos e como eles podem se relacionar com a composição?
Stanley Jordan – Quando eu vou para uma jam, sempre tenho um objetivo. Eu quero ter uma experiência prazerosa e talvez aprender e crescer com outros músicos. Nós estamos tocando por nós e também por cada um que está sob o palco, logo, não precisamos de uma plateia.
Mas é claro que uma plateia pode ajudar, justamente por que é como se ela fosse a cereja do bolo. Eu gosto de viver o momento e tocar para esse momento, então por isso eu nem sempre aprecio quando uma pessoa me grava tocando algo e coloca no YouTube, por que aí você perde esse senso de estar vivendo o momento.
Agora você está fazendo um vídeo e dessa forma é mais difícil ser espontâneo.
Oganpazan – Como você observa o seu estudo de piano sendo influenciado ou complementando sua abordagem na guitarra?
Stanley Jordan – O piano foi meu primeiro instrumento. Eu sempre gostei da riqueza e da complexidade do piano, ao passo que também sempre admirei a expressividade da guitarra. Eu desenvolvi a técnica do toque na guitarra, numa tentativa de ter ambos. Então, com isso em mente, o piano influenciou a minha abordagem na guitarra.
Eu também não posso deixar de mencionar que a guitarra também acabou trazendo coisas novas para a minha abordagem no piano. É interessante, pois certos acordes da guitarra soam bem no piano e eu gosto muito de propostas percussivas quando vou para as teclas.
Oganpazan – Como você define o groove, Stanley? Eu tenho feito essa pergunta para muitos instrumentistas e sempre me admiro com as diferentes perspectivas.
Stanleey Jordan – A chave para um bom groove é tornar ele irresistível desde o começo, depois, conforme você repete, melhor ele fica. Eu fico entediado com um groove fraco, aguado, sabe? Se ele não soa bem desde o começo pra que repetir?
Minha função geralmente é como guitarrista principal, mas a verdade é que algumas vezes eu amo tocar guitarra rítmica. É como se fosse um mantra zen… A guitarra principal é melhor para o ego, mas a guitarra rítmica é melhor para a alma.
Oganpazan – Você também é um grande sideman. Tocou ao lado do Miles, Dizzy, Kenny Garrett… Como você vê os arranjos de metais ajudando você a abordar a composição?
Stanley Jordan – Eu sempre amei as composições Jazzísticas com linhas de metais impactantes. Eu me criei nesse meandro. Minha composição “Capital J” do meu disco “Friends” (2011) recria essa vibe. Eu toquei trompete quando criança e estudei saxofone também, um pouquinho… Hoje essas experiências me ajudam e me permitem uma interação melhor com músicos de sopro, fazendo com que eu me divirta ainda mais.
-Montreux Rio 2020: uma conversa com Stanley Jordan
Por Guilherme Espir
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