Mobbzilla soltou o terceiro single que irá compor o seu disco de estreia Blueprint, agora numa parceira com o excelente nome do rap BA: Dark
A história vai se construindo entre contradições, lutas e desenvolvimentos produtivos, não é nunca linear e muito menos tranquila, principalmente para quem tem consciência de sua posição e luta contra o status quo. Nesse sentido, o encontro entre Mobbzilla e Dark é parte importante de uma história que vem se desenvolvendo subterraneamente pelas ruas de Salvador. Cronistas do cotidiano alucinadamente violento que atravessa a todos de Camaçari até o Rio Sena, e além.
Na sua trilha pessoal, Mobbzilla soltou ontem Simpatia Jaz, terceiro single lançado no rumo de seu primeiro disco cheio Blueprint (2018). O artista de Camaçari, já tem além de inúmeros singles e participações, três disquinhos no currículo. Mobb apareceu na cena com uma excelente Demotape (2015), depois chegou com o Ep Pinturas Rupestres (2016), mas foi com o DDH (Direto do Hospício) que ficou conhecido e conheceu Dark.
Uma amizade começada na solitária, entre folhas de coca contrabandeadas para dentro da cela, com os fios elétricos produzindo faíscas para acender as guimbas de cigarro, tornou-os psico aliados e seguem desde lá remando no mesmo barco. Duas vozes importantes do rap baiano, que ao se encontrar tem produzido excelentes relatos da guerra cotidiana, pessoal e coletiva, que atravessam como piratas que não se rendem ao jogo.
Após esse primeiro contato e o reconhecimento mutuo, esses dois meninos traquinos foram flagrados pela câmera do mestre Fernando Baggi, apurando a língua, cozinhando a linguagem das ruas em Preserve-se.
Esse exercício em dupla onde os mc’s destilavam suas criticas e reflexões sobre os desviantes do sistema e ao mesmo tempo fabulavam bons usos pros malotes da “Preserve”, conservou a amizade. Fortaleceu os laços, onde música, pensamento e conduta se afinam de modo a fazer com que as trilhas profissionais e pessoais encontrem um denominador comum.
E é essa história subterrânea, ás vezes pouco percebida, que nos leva a essa última ação da dupla metendo uma fita nova. Mas uma atividade de escurecimento, chiaroscuro, do que seja realmente o ethos de um rap underground que se mantém sincero, criativo e sobretudo revolucionário. Ante a forçação de barra de quem pretende desfilar simpatia para conquistar um capital social, Mobbzilla e Dark destilam a empatia de suas canetas.
Com o auxílio luxuoso da terceira ponta desse triangulo, o beat de Dactes Beats é a força sonora por onde os mc’s elevam o sarcasmo a uma arte superior. Relatório da guerra, observações da crueldade racista, desvelamento das estrategias de captura pelo estado, na tranquilidade e maestria de quem joga uma partida de dominó num sábado de tarde.
O rapper baiano Mobzilla, alcança o terceiro single do esperado Blueprint(2018), enquanto Dark promete ele também disco para esse ano. O fato é que esses “jogadores” estão com um mão muito boa e aqui mais uma vez é lasquinê preso, não corre ninguém!
https://www.youtube.com/watch?v=foDcFfm3-qc
Danilo
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