O amapaense MC Super Shock soltou dois audiovisuais em altíssimo nível, com estética, sonoridades e cenografia muito próprias!
Desde que tomamos contato com o trabalho do amapaense Mc Super Shock, só observamos como o artista tem lutado e conquistado trabalhos cada vez mais impactantes. É importante sempre percebermos como alguns artistas que estão afastados do eixo e não se deixaram envenenar pela vontade de fazer igual e assim talvez ser ouvido, vão aos poucos desenvolvendo seu próprio estilo. Super Shock está, nos parece, firme nessa direção.
Seus últimos dois audiovisuais nos mostram isso em cores marcantes. Certamente é um processo de se entender único como artistas, de dar vazão às suas próprias ideias, alcançar parcerias e alianças que possibilitem produzir, e obviamente por um auto entendimento sobre o si mesmo. E observando atentamente, não é difícil perceber como os singles e audiovisuais lançados pelo artista vem elevando sua arte, sua imagem, suas ideias, as sonoridades trabalhadas, rimas e flow.
Apesar de já existir uma tradição do rap na cultura hip-hop feito na região norte, junto a outros nomes atuais, Mc Super Shock nos parece um artista capaz de trazer maior visibilidade para o seu estado. E consequentemente gerar no público local um movimento de entendimento de sua própria tradição. É um tempo onde a imagem e as coisas feitas dentro de certos clichês ganham visibilidade mais rapidamente. O que o MC amapaense vem apresentando tem muito potencial para “durar” mais.
Lançando singles desde 2016, ainda não tivemos a oportunidade de escutar um trampo cheio do MC, apenas singles e videoclipes compõem sua ainda incipiente discografia. Esse trajeto nos releva um artista cuidadoso para além das dificuldades de produção, nos denota alguém interessado em prospectar públicos, construir networks e lapidar a própria arte até estar “pronto” para algo de maior alcance.
Seus últimos dois trabalhos nos parece jogar luz nessa caminhada e nestas intenções. A faixa “Autoafirmação”, ao contrário do que possa parecer, não traz nenhum traço de um trabalho prepotente ou de braggadocios vazios. Com uma produção visual que apela na cenografia e figurino para um estética vintage, o artista constrói uma narrativa que parte da autocompreensão para daí sim se afirmar como aquilo que está se tornando. O tema da raça é algo importante nas músicas do MC Super Shock, nome artístico – auto batismo – inspirado em um herói negro.
Com muitos tambores, a produção musical traz um beat do Onça Beats e apresenta uma construção com diversos elementos orgânicos: Loba Rodrigues (percussão), Daniel Kahwage (baixo, efeitos sonoros e guitarras). Dividida em dois momentos tanto no audiovisual como na música: há a possibilidade de entender a faixa como algo dividia entre o interior e o exterior. Como uma negritude e autoafirmação enquanto filho de Africa e um negritude urbana e brasileira, fazendo rap (boombap sujão) na diáspora.
Último lançamento em audiovisual do artista, a faixa “Só Mais 5 Minutos” trazendo uma poesia firme sobre relacionamentos pretos, fala de amor e desencontros em tempos de interconectividade total. E aqui podemos ver como MC Super Shock rompe com os clichês recorrentes em MC que pretendem falar sobre sua masculinidade e afetos, como ele consegue abordar um tema atual com complexidade e sobretudo com qualidade poética.
O audiovisual é um deslumbre e traz a excelente MC Nic Dias mostrando seus dotes como atriz, com toda a parte técnica e artística do vídeo ficando na conta da Saturação. O beat da faixa é do grande Malária e produz uma cadência melancólica na qual o MC pode desfilar sua poesia sobre os desacertos via smartphones e consequentemente os problemas que carregamos no peito pela vida. É bonito, é invulgar e convence o espectador que não esteja esperando o mais do mesmo de poesias acústicas.
Assistam e já ficamos no aguardo dos próximos trabalhos do MC Super Shock!
-Mc Super Shock em plena “Autoafirmação” e em “Só Mais 5 Minutos”
Por Danilo Cruz
Danilo
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