Mc Carol Ft. Heavy Baile lançaram Marielle Franco, num poderoso reflexo da força necessária nesse momento em que vivemos o caos político !!!
Determinadas mensagens tem tanto um endereço certo como uma remetente ideal, e Mc Carol nesse momento é a remetente ideal de seu lugar de fala para mandar essas verdades. Ela encarna nesse momento de crise extrema que o país vive, e que o estado do Rio de Janeiro em particular sofre como tudo de ensaio, a voz que precisa ser mais e mais ouvida, preta, favelada, gorda, autônoma e inteligentemente subversiva. O assassinato da vereadora Marielle Franco foi o último dos acontecimentos nefastos que a crise institucional brasileira assistiu e é um signo aterrador do que pode vir a seguir.
Tudo que de mais absurdo, cruel e vil a nossa história tentou jogar pra debaixo do tapete vem tomando as formas mais desavergonhadas em manifestações públicas partindo de pessoas que estão a frente dos altos cargos da nossa nação. Nesse caldeirão de chorume, a opinião pública se restringe a reações escritas veementes, algumas manifestações em trios elétricos e passeatas em mera demarcação de posição.
O povo periférico e negro que tem pago o preço mais caro dessa conta em forma de extermínio em massa e desemprego em altos números, ainda se mantém calado, de alguma forma atônito, observando talvez sem muito entender o que se passa. O futuro nesse instante é uma interrogação sem tamanho, com PEC do gastos públicos, reforma trabalhista, reforma do ensino médio e ataques sistemáticos a educação pública.
Ouvir Mc Carol entoar Marielle Franco para nós é ao mesmo tempo um real chamamento a luta e sobretudo partindo da emissora ideal, ela também mulher negra e periférica. A produção da Heavy Baile dá o tom necessário a esse convite e afirmação, num trap com a utilização de samples de tambores e percussão orgânica. Se você estava em Marte nos últimos dois anos, MC Carol é funkeira, que por fugir de diversos padrões, além de curtir uma afronta aos preconceituosos e de cantar sobre sua liberdade sexual e a autonomia feminina, sempre causa furor no palco ou fora dele.
Em 2016 ela lançou um disco, Bandida, que teve uma reverberação boa nas mídias e com o público. Carregando as tintas em músicas de conteúdo explicito como em “O Amor Acabou” e “Prazer Amante do Seu Marido”, mas também trazendo afirmações feministas como em “100% Feminista” (feat Karol Conká) e a histórica e didaticamente divertida “Não Foi Cabral”.
Tal qual em “Delação Premiada”, também presente em Bandida (2016) Mc Carol foi muito feliz nesse single, caminhando com vigor e classe em cima de um beat Trap. Marielle Franco é talvez a reação vindo dos guetos do brasil que melhor representam o que precisamos nesse momento politico e desesperançado. A dor da senhora que perdeu seu netinho de apenas 12 anos, passando pelos casos anteriores de mulheres negras executadas como a Claudia e a Mariza, a marcha genocida prossegue. E Mc Carol está atenta, e mais do que atenta, se faz presente contra a Branquitude que é pai desse caos que vivemos.
Marielle Franco Presente! Claudia Silva Presente! Todas as pretas de luta, Presentes!
Danilo
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Killa Bi em “É Nosso Tudo O Que Eu Olho”, a expertise de uma grande MC
Em seu disco de estreia, Killa Bi mostra-nos por que é uma das grandes MC’s surgidas no Rap brasileiro nas últimas décadas, “É nosso Tudo O Que Eu Olho” Nos últimos 6 anos, o nome de Killa Bi se tornou obrigatório para quem está atento…
NEGGS & YANGPRJ, arte e cultura Hip-Hop piauiense expandidas e renovadas, e agora?
Após 3 discos lançados, NEGGS & YANGPRJ expandiram e renovaram a arte e a cultura Hip-Hop piauiense, “Libertador part. II, o fim de um ciclo! Em seu último movimento, a dupla de artistas piauienses NEGGS & YANGPRJ, lançou o disco “Libertador part. II”, no final…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

