Lasso, banda de punk/ hardcore soteropolitana lançou, no início de abril, mais uma pedrada, o seu terceiro álbum intitulado Ordem Imaginada.
O que é Lasso, é de comer ou de beber?
Essa é a primeira matéria que escrevo sobre a Lasso, mas já conheço a banda faz um tempo, já conferir a performance dos caras ao vivo e sempre fiquei curioso acerca da grafia do nome da banda. A única palavra com essa fonética que conheço se escreve como cedilha no lugar dos dois ésses e que está associada a capturar algo, criar vínculo com alguém ou alguma coisa, etc.

Pra ser bem sincero, pensava que fosse uma palavra pertencente alguma outra língua latina como o espanhol, o italiano ou o francês. Meu espanto foi encontrá-la em um dicionário online de língua portuguesa.
São dois sentidos para o termo: o primeiro deles tem relação com aquilo que oscila, que está bambo, que é frouxo ou não está devidamente amarrado. O segundo tem a ver com cansaço, com fastio e esgotamento por conta de trabalho excessivo do corpo ou da mente. Vocabulário enriquecido com sucesso!
Tem uma referência na cultura pop atual. Quem se liga em séries vai ser remetido àquela séria da Apple TV em que um técnico de futebol americano é contratado para treinar um time inglês de futebol que disputa a Premier League, Ted Lasso, que também dá nome à série.
Um EP sobre a condição humana do século XXI
Bom, satisfeitas as curiosidades referentes ao nome da banda, vamos falar de Ordem Imaginada, o mais recente EP da Lasso, que foi lançado no início de abril. O EP joga numa espiral frenética através das quatro primeiras faixas. Mesmo a faixa 6 Tecido Social, que abaixa um pouco o ritmo alucinante das faixas antecedentes, preserva um pouco daquela vibe frenética.

Parece um momento de respiro em meio a uma crise de pânico ou ansiedade, que traz um alívio parcial, embora vc sinta ao fundo os efeitos da crise, como se ela pudesse ser deflagrada novamente a qualquer instante.
Ninguém melhor que a própria banda para definir o próprio som. E é assim que o define em seu perfil no Bandcamp:
Espelhando o clima imprevisível desta época do ano, a música de Lasso flutua entre explosões brutas de energia maníaca e meditação tensa, invocando os ciclos de ansiedade e depressão que dominam tantos de nós hoje em dia.
O tema da saúde mental, que é uma das grandes questões de nosso tempo, se expressa na sonoridade, mas também nas letras de Ordem Imaginada. São letras que trazem uma perspectiva niilista com relação à vida e os rumos que a sociedade tomará.
Esse niilismo parece ser fruto da própria condição em que se encontra o eu lírico, perturbado e incapaz de conceber qualquer tipo de alternativa para sua aflição, que só vai o conduzindo para um desfecho aterrador.
E o eu lírico presente nas letras está sempre encoberto por uma atmosfera de desespero e angústia profunda. Também é desesperador ouvir aqueles versos cantados com tamanha energia, soa como uma tentativa de se libertar daquela tormenta que bombardeia a mente com imagens e sensações que geram dor e aflição.
O próprio nome do EP, Ordem Imaginada, pode ser interpretado como uma metáfora para o funcionamento da mente de alguém sofrendo de ansiedade ou depressão. Uma mente que constrói, a partir dos elementos que sua condição fornece, uma estrutura, uma ordenação da realidade, que não é mais do que fruto de sua mente atormentada.
Mais sobre Lasso no Oganpazan:
LASSO LANÇA SEU DISCO DE ESTREIA
Ficha Técnica
Gravado e produzido por Lasso no Ruído Rosa
Assistência de gravação por Dill Pereira
Mixado por Jonah Falco nas Inland Waterways
Masterizado por Will Killingsworth no Dead Air
Ilustrações por Carlos Casotti
Layout por Ivo Delmondes
Fotos por Régis Bezerra
Lançamento em parceria entre os selos Sorry State Records (US) e Static Shock Records (UK).
Carlim
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