Lagrimas, banda punk/hardcore/emoviolence de Houston Texas é feroz, cheia de energia e passa pelos seus tímpanos na velocidade de um raio.

Tenho o péssimo hábito de ficar zumbizando pelos vídeos oferecidos freneticamente pelo famigerado algoritmo do Instagram. Este vai despejando sobre meus olhos todo aquele conteúdo aos montes. Enquanto alimento a voraz fogueira algorítmica com minha atenção, meu precioso tempo vai sendo convertido em lucro pro Zuca e vazio existencial pra mim.
Raramente ocorre deste tempo ser preenchido por algo que valha a pena o sacrifício de todo aquele tempo sagrado ao desejo luxuriante do Zuca por lucro. Ontem rolou um desses sacrifícios de tempo que fizeram respingar sobre algum sentido sob aquele débil milésimo de segundo. Enquanto babava olhando para as imagens sendo substituídas aleatoriamente na tela do celular.
De repente eis que surge este vídeo! Acordei do coma imediatamente! Minha mente foi invadida pelo caos de sons e imagens! Enquanto aquela música insana invadia meus ouvidos aos pontapés! Quanta intensidade, quanta energia sendo consumida naquele vídeo!
Tive minha atenção assaltada a mão armada por aquela performance e aquela música trovejante! Lagrimas, esse nome em português chamou minha atenção pra caralho! Jazzmin, vocalista da banda, disse que o nome vem da audição de uma música de Los Crudos. Quando ouviu Martin Sorrondeguy cantar a palavra em meio à uma das letras, ela se destacou em sua mente.

Essa ligação com a América Latina não é a toa, afinal, a vocalista Jazzmin é negra, com raízes latinas, o guitarrista Edgar Hernandez é mexicano, enquanto a baixista Laramie Joseph e a baterista Rye Joseph são pretas. Mulheres negras e latinas não podia ter outra sonoridade que não fosse uma sonoridade agressiva, direta e enérgica.
E o nome traz a carga emocional presente nas letras das músicas. Há uma dimensão bastante emotiva, mas as emoções acionadas emanam torrencialmente, radiando energia que pode destruir ou transformar. Assim como Los Crudos, Lagrimas tem músicas de curtíssima duração. Capaz de atravessar sua cabeça num milésimo de segundo.
Ouçam aí Silly Songs With Larry, último single lançado pela banda:
São 34 segundos que passam rasgando seus ouvidos de um lado ao outro! A agressividade do vocal de Jazzmin Readeaux impacta quem ouve a música. A letra sombria remete a um estado emocional lúgubre, porém sem cair no lugar comum de um niilismo gratuito.
Em 2022 a banda lançou dois trampos: o EP A side/ B side, que saiu em dezembro e o álbum Non Intellegunt lançado em julho. Nestes trabalhos a a banda faz saltar forte sua veia grind. Não tem faixa leve, não há tranquilidade, tampouco aquele momento de alívio. É tensão, penumbra e agitação constante, do primeiro ao último segundo.
Vale muito a pena ouvir e conhecer melhor essa banda que gira pela cena undeground estadunidense. Para conhecer melhor a banda acessem o bandcamp da Lagrimas e suas redes sociais que deixaremos disponíveis abaixo:
Lagrimas é:
Jazzmin Readeaux -vocals
Rye Joseph- drums
Laramie Joseph- bass
Edgar Hernandez – guitar
Carlim
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