Como se não bastasse surpreender o público com um disco do quilate de “The Return”, tampouco uma collab com o Wu-Tang pra soltar versões de Hip-Hop sampleando a si próprio e uma tour ao lado do guitarrista Mansur Brown… Pois é, o Henry Wu ainda não está satisfeito com o seu 2018, aparentemente, o britânico quer mais.
Henry Wu é apenas um dos codinomes do Kamaal Williams. O britânico preparou um EP com 3 tracks ao vivo ,gravadas na França, tudo só pra chamar os ouvintes locais para as outras apresentações do meliante na terra de Napoleão.
O EP intitulado “Nights In Paris”, lançado no dia 11 de setembro (junto com o trampo de versões da Wu-Tang Clan), também não está disponível em nenhum serviço de streaming. Mais uma vez, o criador de um dos sons mais cremosos da cena escolheu manter esses grooves restritos ao Bandcamp.
Line Up:
Kamaal Williams (teclados)
Dexter Hercules (bateria)
Pete Martin (baixo)
Richard Samuels (mix)
Track List:
“DISAINTJAZZ”
“Nights In Paris”
“Salaam”
Trocadilhos infames a parte, não se engane pela pouca quantidade de faixas. Durante pouco mais de 20 minutos, o trio de Kamaal Williams mostra, ao vivo, sem cuspe nem massagem, como que o Fusion mais cremoso do maistream é criado com toques de House.
A primeira faixa já é uma ácida cutucada aos estudiosos do Jazz que questionam as diretrizes modernas do estilo desde a fase elétrica do Miles Davis. “DISAINTJAZZ” mostra como tem gente que ainda precisa ouvir muito Wu Funk antes de querer dar pitaco para confirmar se a banda X ou Y toca Jazz ou não.
Atenção especial ao trabalho de Pete Martin no baixo (ele gravou o “The Return” ao lado do Kamaal em estúdio) e do baterista Dexter Hercules, que não tocou no disco, mas acompanha o tecladista como sideman.
Pena que nenhuma dessas versões conta com o Mansur Brown na guitarra. O cara faz alguns números com o trio, acompanhando a tour como músico convidado… Não se pode ter tudo na vida não é mesmo? Reclamar desse live é no mínimo inviável. “Nights In Paris” é mais cremoso que o próprio creme brulee que os parisienses tanto apreciam… e o que falar da entradinha de “Salaam”, chegando sexy, bem devagar? É pra derreter os fãs daquele groove manhoso.
Boogie de mafioso. Esse cara ouviu muito Steely Dan quando era pivete. Não é possível.
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Ouviu muito Steely Dan certamente!
Fiquei com essa impressão também, Igor. Coisa fina