O show do The Jimi Hendrix Experience no Hollywood Bowl em agosto de 1967 foi determinante para tornar a banda bem sucedida nos EUA.
Jimi Hendrix: A Ascensão e o Racismo no Caminho do Sucesso

Jimi Hendrix conquistou o status de ícone pop, uma proeza permitida a poucos artistas negros pela Indústria Cultural.
No entanto, esse reconhecimento muitas vezes mascara as experiências de racismo enfrentadas pelo guitarrista antes de alcançar o merecido destaque como artista. O racismo impôs obstáculos quase intransponíveis à Hendrix.
Antes de alcançar a fama, Hendrix enfrentou intensas adversidades causadas pelo racismo estrutural e institucional vicejante nos EUA até os nossos dias.
Somente após obter sucesso comercial e gerar lucro para produtores, investidores e gravadoras é que sua fama decolou. Atualmente, o legado de Hendrix pertence à Sony Music Entertainment, que lucra com sua obra.
O Retorno aos EUA e show no Hollywood Bowl
Para capitalizar ainda mais sobre o legado de Hendrix, a Sony lançou um álbum contendo a histórica apresentação do The Jimi Hendrix Experience no Hollywood Bowl no dia 18 de agosto de 1967. Este show marcou o retorno do guitarrista aos EUA após sua aclamação na Europa.
Embora o The JHE tenha ganhado notoriedade após sua apresentação explosiva no Monterey International Pop Festival, cerca de dois meses antes, a banda e Hendrix eram desconhecidos nos EUA. No Hollywood Bowl, eles abriram para The Mamas & The Papas a pedido de Scott McKenzie. Ou seja, o público compareceu ao Hollywood Bowl para assistir ao show do The Mamamas & The Papas.
Todavia, não é demais lembrar que Hendrix contou com a sorte e o fascínio dos britânicos pelo blues estadunidense naquele período. Graças a esta convergência de fatores, Chas Chandler, ex-baixista dos The Animals, se interessou por Hendrix ao vê-lo tocar em um bar do Greenwich Village. Chandler tornou-se empresário do guitarrista e o levou para Londres para dar início à sua carreira.
A gravação do show de Hendrix no Hollywood Bowl
Apesar das limitações sonoras do material de gravação de dois canais, o poder do The JHE é evidente em cada nota. Porém, Hendrix eleva sua guitarra a níveis vertiginosos, enquanto Noel Redding e Mitch Mitchell desempenham papéis vitais. A turnê com os Monkees, apesar de ser uma experiência desastrosa, destaca a disparidade entre os estilos musicais das duas bandas.
Contudo, o álbum captura a essência do The JHE, revelando não apenas o virtuosismo de Hendrix, mas também a ternura em músicas como “The Wind Cries Mary”. Gravado dias antes do lançamento de “Are You Experienced” nos EUA, esse show representa o som do futuro, iniciando uma revolução sonora que moldaria o cenário da música pop.
O setlist do show
O The JHE havia lançado o álbum de estreia, Are You Experienced?, em maio de 67, somente na Inglaterra. Desse modo, a edição norte-americana saiu logo após o “Festival de Monterey“.Na apresentação no Hollywood Bowl, ele tocou 5 faixas do álbum, e outras 5 foram covers.
Tudo começa com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, que já tinha tocado com os Beatles na plateia em Londres apenas algumas semanas após o lançamento do álbum dos Garotos de Liverpool.
Depois, emenda uma sequência de suas grandes referências do blues: Killing Floor do Howlin’ Wolf, Catfish Blues do Muddy Waters. As outras covers são Like A Rolling Stone do Bob Dylan e Wild Thing dos The Troggs.
Lado 1
- Introduction
- Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
- Killing Floor
- The Wind Cries Mary
- Foxey Lady
- Catfish Blues
Lado 2
- Fire
- Like a Rolling Stone
- Purple Haze
- Wild Thing
Jimi Hendrix: Guitar, Lead Vocals
Mitch Mitchell: Drums
Noel Redding: Bass, Backing Vocals
Clique no link abaixo para ler mais matérias sobre Jimi Hendrix aqui no Oganpazan.
Carlim
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Oddish “Castro” & Degraus Beats: “A arte de não ser suicidado pela sociedade” = “Deus me Louvre”
Oddish Castro lançou o seu 3º disco com feats de Max BO, ManoWill, Ravi Lobo, ALFÃO, Lezin e mais em seu melhor trabalho até aqui! Vivemos uma era de filtros, onde “personas” são vendidas como manequins portadoras de verdades humanas, com narrativas sendo engolidas como…
O lançamento de “Ajucity for Life” solidifica a relevância de BW para o trap sergipano
Uma análise sobre os elementos singulares que construiram a relevância do artista sergipano BW dentro do cenário de seu estado O festival Tambor cimentou uma das minhas já convictas certezas: BW é um dos maiores nomes do rap sergipano. Ao lado de Preto JB, Dayo,…
Oddish “Castro” solta single e EP como um prólogo para o “ÉPICO da SUJEIRA”
Um dos grandes nomes do Rap baiano, Oddish “Castro” lançou o single “Gargantilha” e o EP “Pernambués” com produção do El Piva. O mês de abril tem marcado o retorno do MC Oddish “Castro” ao cenário do Rap baiano, com lançamentos que preparam o seu…
Pós-Salvando “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, resposta ao seu áudio Mattenie!
Saiu hoje o segundo disco da dupla Matéria Prima & Goribeatzz: “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, contando com 13 tracks pelo boombap e o house! Disco novo da dupla Matéria Prima & Goribeatzz, com baixos estratégicos do Cizco, DJ Novset riscando, Cravinhos em guitarras…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…
