Entrevistamos o guitarrista do célebre grupo Incognito, Jean Paul “Bluey” Maunick, e os detalhes dessa conversa você confere no Oganpazan!
O Jazz, dentro de toda a riqueza e complexidade, possui diversos rótulos que apesar de se ramificarem – e ao menos em teoria, originarem novos – são basicamente a mesma coisa. O Acid Jazz – movimento que surgiu na década de 80 em meio ao frenesi da cena de UK – é um exemplo disso.
Escola que fez bastante barulho na cena, principalmente no circuito europeu, nos Estados Unidos e Japão, o estilo reúne diversos elementos do Soul, Funk R&B e Disco, com um nome repaginado, cortesia da mão invisível do mercado. No Japão inclusive, o público curtiu muito o Acid Jazz em função de ser uma vertente próxima do AOR, Blue Eyed Soul e Yacht Rock, algumas estéticas que fazem sucesso na terra do hashi, explorando grooves com alto quilate de produção.
Linhas sonoras mais descoladas e muito valorizadas em termos de beleza nas composições e arranjos majestosos, esse approach foi claramente influenciado pela galera da West Coast. Com todo esse plano de fundo em mente, bastou que algumas bandas da cena (observando também as tendências que o groove estava assumindo à época), juntassem pitadas de tudo que deu certo no passado, para que o mundo pudesse seguir groovando no presente e no futuro.
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| Fotos: Karina Menezes |
Foi a graças a grupos do nível do The Brand New Heavies, Buckshot LeFonque, Jamiroquai e o próprio Incognito, que o estilo ganhou dezenas de adeptos e desde os anos 80 pra cá já se ramificou em diversas outras linguagens, como o Nu Jazz, Neo Soul e o Trip Hop, por exemplo.
E para entender toda essa história o Oganpazan conseguiu trocar ideia com uma das maiores autoridades do groove, o guitarrista Jean-Paul “Bluey” Maunick. Líder do Incognito desde sua formação, lá atrás em 1979 e um dos grandes produtores da história do Reino Unido, o músico entrou na onda da nossa equipe e nos ajudou a chegar mais perto de definir o groove, essa ciência que tanto apreciamos.
Papel e caneta em mãos? Conheça a história da cena do Acid Jazz, além de novas indicações de som direto da fonte.
Entrevista com Jean-Paul “Bluey” Maunick
1) Quando o movimento de Acid Jazz começou você estava na linha de frente de todo essa sonoridade Funky que estava tomando uma nova forma. Como é continuar vivendo isso 35 anos depois?
Quando o Acid Jazz começou nós abraços todas as possibilidades e a energia do movimento, mas nunca perdemos nossa identidade e a raiz da nossa música. Estamos fazendo mais shows do que nunca, além de estar orbitando um ambiente bastante criativo.
Nós também ganhamos uma sólida base de jovens fãs. Parece que nós antigos fãs tiveram filhos e colocavam Incognito pra molecada curtir e eles de fato gostam do nosso som, talvez até em função dessa nostalgia, mas nós seguimos gravando e com isso eles também conseguem fazer essa troca com os pais, mostrando nossa nova vibe.
2) O Reino Unido está vivendo um novo levante Jazzístico com centenas de bandas trabalhando em diferentes linhas de Jazz, desde o progressivo até o Funk. Com toda sua experiência e a variedade de estilos já tocadas na discografia do Incognito, como você vê esse renovado interesse crescendo junto com a nova cena?
É bastante encorajador. O Jazz está vivo em UK e a cena underground ganhou bastante atenção. São tempos bastante excitantes em Londres, bem na mesma cena que a nossa.
É um movimento mundial, com bandas como Hiatus Kaiyote da Austrália, BADBADNOTGOOD do Canadá e artistas como Thundercat, dos EUA, criando coisas incríveis. É disso que a nossa alma musical se alimenta!
3) Um dos mestres quando o assunto é groove, Jean-Paul, será que tem como definir o que seria essa coqueluche, o chamado groove?
O groove é o estado físico. É como eu vejo o negócio todo…. Se a sua música não tem balanço, ninguém vai rebolar. Alguns tipos de som são matemáticos demais e muito precisos, praticamente cirúrgicas, mas normalmente não tem groove.
É como o Anderson Paak questiona: “Am I wrong to asume that if she can’t dance, then she can’t woo?”. Na tradução: “Estou errado em supor que se ela não pode dançar, então ela não pode curtir?”. Eu sempre bato nessa Tecla, se você não groova, sua plateia também não vai. O groove é a dança interior e os melhores músicos tem esse feeling. James Brown, Marvin Gaye, Chakka Khan, Sly Stone e muitos, muitos outros!
4) Durante a sua carreira você habitou os 2 lados da música. Como produtor, trabalhando com nome como Terry Callier e George Benson e como músico, tocando com os melhores nomes dentro do estúdio ou com músicos de sessão. Como essa visão 360° ajuda você a criar?
O fato de viver um sonho faz com que você queira conquistar o mundo. Trabalhar com artistas desse calibre é inspirador além do que as palavras conseguem definir!
5) Depois das celebrações de 40 anos da banda, quais são as expectativas de vocês com relação a novos projetos e colaborações?!
No momento estamos trabalhando em vários discos. Temos um novo registro do Citrus Sun que está próximo da fase de mixagem, um disco da Roberta Gentile, uma jovem musicista italiana que trabalha numa linha mais Jazz-Soul, com flertes de Blues. Além disso, estamos trabalhando em novos registros também com músicos e bandas da Indonésia, como Tompi, Dirá Sugandi, Petra Sihombing (cantora/guitarrista), Rega Dauna (uma gaitista genial) e eu comecei a escrever novas músicas para um próximo trabalho do Incognito. São tempos de muito trabalho!
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