Hyldon lançou no dia 06 de setembro o single Aconteceu em Geribá. Música ficou arquivada desde o ano de sua criação, 1977.

Recentemente realizamos uma live com Hyldon. Confira aqui. Nela conversarmos sobre sua carreira e o relançamento do seu álbum de estreia, um dos álbuns marcantes da nossa música entre aqueles lançados nos anos 70.
Estou falando de Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, lançado originalmente em 1975. Vale dizer, esta obra maior do Hyldon foi relançada recentemente pelo selo Discodelia e pode ser adquirido aqui.
Quando Aconteceu em Geribá foi composta, a carreira de Hyldon estava sofrendo uma transformação. Ele acabara de sair da Polygram e assinado com CBS, levado por Jairo Pires.
Não demorou muito para Hyldon lançar um novo álbum pelo seu novo selo. Nesse contexto ele grava e lança Nossa História de Amor. Vale ressaltar que este álbum teve a produção de Alex Malheiros e as músicas tiveram arranjo de uma dupla da pesada, Walter Branco e Ed Lincoln.
A faixa título, Nossa História de Amor, teve sua reprodução feita de forma orgânica na rádio, ou seja, sem a gravadora investir na divulgação do álbum. Na verdade a gravadora fez o contrário, ordenou que o álbum não fosse divulgado. A ordem veio de cima, da diretoria da empresa.

Chateado com essa ação por parte da sua gravadora, Hyldon larga tudo e vai morar em Búszios. É nesse contexto que ele compõem a primeira parte da música Aconteceu em Geribá. Ainda em 1977. Se a primeira parte da música foi feita sob a influência da desilusão, sua concretização se deu num momento de celebração.
Isso porque setembro é o mês que marca a participação de Hyldon em dois grandes festivais, o Coala em São Paulo, que rolou no feriado de 7 de setembro em São Paulo. E o Rock In Rio no dia 21 de setembro no “Dia do Brasil” neste festival. No Coala dividiu palco com Sandra de Sá e Tássia Reis, já no Rock In Rio comanda a festa soul ao lado de Cláudio Zoli e Banda Black Rio.
Aconteceu em Geribá possui um arranjo peculiar. Tem sua tônica no groove vibrante construído pela “cozinha”, sustentando uma trama rítmica a um só tempo vibrante e suave. Suavidade essa que se torna ainda mais latente quando entra a melodia vocal, emitida pelo timbre afável e tranquilo da voz do Hyldon.
Esses ingredientes geram uma paisagem onírica, esmaecida pela passagem do tempo, surgindo como uma lembrança antiga. Ouvir a música nos faz swingar de maneira leve, enquanto simultaneamente nos colocamos em estado contemplativo, como quem sentando na areia, admira o por do sol, enquanto relembra momentos marcantes de sua vida.

A música traz a sensação experimentada por Hyldon, quando sai do Rio, desiludido e encontra na praia de Geribá em Búzios, o bálsamo responsável por desviar sua atenção do fato gerador da frustração. Nesse contexto, o compositor encontra as condições para experenciar uma sensação de alívio, de paz e tranquilidade, transmitida a nós ouvintes através de Aconteceu em Geribá.
Hyldon transmite para nós, que ouvimos a música, essa experiência tranquilizadora e onírica, vivenciada por ele em Geribá. Imergimos nessa imagem e somos igualmente agraciados com paz e tranquilidade.
O elemento onírico surge na descrição da conversa entre os pássaros, que apresentam uma situação, que parece remeter à situação vivida por Hyldon quando o diretor da CBS veta a divulgação de Nossa História de Amor.
O canário que deixa de cantar só consigo interpretar ser o próprio Hyldon, considerando o contexto que o levou a buscar refúgio na praia de Geribá. Há, portanto, a ligação com aquele momento, revelando a primeira parte composta por Hyldon em 1977.
Esperemos que os lançamentos não parem por aí, que novos singles sejam lançados e conduzam ao lançamento de novo álbum de estúdio com músicas inéditas do grande Hyldon!
Ficha técnica
Eduardo Farias – Piano
Cassius Theperson – Bateria
André Vasconcelos – Baixo acústico
Marcio Pombo – Clavinete, sintetizadores e vocal
Mafram Maracanã – Percussão
Yug Werneck, Lina e Camila Emanuelle – Vocal
Hyldon – Voz solo, Violão de aço e Guitarra wha-wha
Marlon Sette – Trombone
Diogo Gomes – Trompete
Zé Maria – Saxofone
Gravado nos Estúdios Marini, Pombo e Caldeira Sette
Técnicos – Mauro Araújo, Márcio Pombo, Marlon Sette e Bernardo Brandão
Capa – Flávio Albino
Produção Hyldon para DPA Discos
Carlim
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