Um dos supergrupos mais interessantes que surgiram nos últimos tempos. Essa seria apenas uma maneira de classificar o trabalho do The Fearless Flyers. Um quarteto que surgiu à partir do Funk do Vulfpeck, o grupo formado pelo Joe Dart (baixo), Cory Wong (guitarra), Mark Lettieri (guitarra) e por nada mais nada menos que Nate Smith (bateria), está sempre gravando e lançando material inédito de maneira prolífica.
Após lançar o debutante autointitulado em março de 2018, o grupo grupo se tornou um enorme viral em homenagem ao groove. Com um formato no mínimo inusitado em termos de configuração, a dinâmica do som dos caras parece simples, mas quem já fritou nesse Funk sabe que o buraco é muito mais embaixo.
Com um trabalho soberbo de guitarra base, Wong-Lettieri fazem a cama perfeita para que Joe Dart e Nate Smith – numa bateria minúscula – tire leite de pedra, promovendo acompanhamentos ridículos num kit reduzido e que na mão do baterista (parece) de brinquedo.
Os discos do Fearless Flyers mostram a importância de subverter a linguagem do Funk, R&B e do Groove em geral para uma nova geração. É um complemento do trabalho realizado pelo Vulfpeck e com o segundo disco – The Fearless Flyers II – as experimentações continuam.
Line Up:
Joe Dart (baixo)
Nate Smith (bateria)
Cory Wong (guitarra)
Mark Lettieri (guitarra)
Joey Dosik (saxofone)
Chris Tile (guitarrinha)
Track List:
“Flyers Direct”
“The Baal Shem Tov (feat. Joey Dosik)”
“Simon F15”
“Daddy, He Got a Cessna (feat. Chris Tile)”
“Swampers (feat.Chris Tile)”
“Hero Town”
The Fearless Flyers
A receita segue a mesma. Novamente, o quarteto aparece com 6 grooves e a cada take as propostas impressionam pelos dinâmicos desdobramentos do som. Lançado no dia 3 de maio de 2019, esse trabalho no entanto surge com uma proposta mais elaborada.
Os temas seguem compactos, mas já ganharam mais corpo e as participações sempre trazem um elemento surpreendente. “Flyers Direct” é mais um riff que você sonharia ter composto. “The Baal Shem Tov” chega como quem não quer nada, mas ai aparece o Joey Dosik com um saxofone plugado no Wah-Wah. O que dizer sobre as linhas que o Nate Smith executa com apenas uma das mãos?
Aliás, é importante ressaltar essa questão dos instrumentos de sopro, pois essa é a principal influência para a criação dos boogies que envolvem esse projeto. Em temas como “Simon F15”, o grupo mostra todo seu lirismo, enquanto o ouvinte se pergunta como o Nate Smith tira tanto som de um kit que mais parece a bateria da Hello Kit.
Mas é ao som das participações de Chris Thile que esse trabalho atinge o auge. Primeiro com “Daddy, He Got a Cessna” – trocadilho com “Daddy, He Got a Tesla”, música do Vulfpeck – Chris mostra que não existem limites para o Funk. A prova viva disso é sua mini guitarra. Ele chega a desafiar a soberania de Cory Wong e Mark Lettieri, mas enquanto a sessão rítmica segura o chumbo, Nate Smith bota ordem na casa.
Temas como “Swampers” – com participação de Chris Thile mais uma vez – mostram um senso de urgência notável. Ver esses caras ao vivo deve ser uma experiência primorosa. “Hero Town” é um tema do Vulfpeck que foi remodelado para os intrincados solos do quarteto. A leveza e a sensibilidade são notórias e é impressionante perceber como o som atinge um grande QI rebolativo sem (aparentemente) precisar fazer muito – ou nenhum esforço – para tal.
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